sábado, 17 de dezembro de 2016

Refrigeração quase passiva é possível ?


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Refrigeração quase passiva é possível ?

Pois a revista Eletrônica Inovação  Digital trouxe um interessante artigo a este respeito.

O título diz :


Está pronto ar-condicionado que manda calor para o espaço

para fazer o vácuo no ambiente refrigerado 
inicialmente, vejam...
Refrigeração passiva
Em 2014, uma equipe da Universidade de Stanford, nos 
EUA, lançou uma ideia que, a princípio, parecia boa 
demais para ser verdade: enviar calor para o espaço
eliminando a necessidade de consumir energia para a 
refrigeração em geral - sistemas de ar-condicionado, 
geladeiras, etc.
Logo depois eles demonstraram que essa técnica 
em pequena escala em uma célula solar.
O emissor termal, que envia o calor para o espaço, é transparente e está sobre o quadrado preto no centro da imagem. [Imagem: Zhen Chen]
Agora a coisa está esfriando ainda mais: Zhen Chen e 
seus colegas construíram um emissor termal - um 
dispositivo capaz de liberar mais calor do que recebe - que 
atinge uma temperatura 42,2º C abaixo da temperatura do 
ambiente onde ele é colocado.
"Para atingir um resfriamento de alto desempenho, a 
chave é acoplar qualquer objeto que você queira resfriar 
com o espaço exterior e desacoplá-lo do meio ambiente 
ao seu redor," disse Chen, lembrando que os -270 °C do 
espaço além da atmosfera podem funcionar como um 
dissipador de calor excepcional para qualquer aplicação 
terrestre.
Enviar calor para o espaço
A atmosfera da Terra permite que a radiação térmica de 
comprimentos de onda entre 8 e 13 micrômetros passe 
direto através dela rumo ao espaço exterior, mas a maioria 
dos objetos libera calor em comprimentos de onda 
diferentes.
Assim, Chen projetou um emissor termal de modo que a 
maior parte do calor que ele emite caia na faixa precisa da 
radiação térmica que a atmosfera deixa passar, o que 
significa que, em um dia limpo, o calor sairá dele direto 
para o espaço, sem qualquer absorção ou reflexão pelo ar.
Para os testes, o emissor foi colocado em uma câmara de 
vácuo, de forma a isolá-lo completamente da atmosfera e 
eliminar virtualmente qualquer transferência de calor por 
condução ou por convecção. Uma janela especialmente 
projetada em cima da câmara de vácuo, voltada para uma 
porção clara do céu, completou o arranjo experimental.
Meia hora depois de o ar ter sido bombeado da câmara, a 
temperatura do emissor caiu 40 °C abaixo da temperatura 
ambiente - muito abaixo do ponto de congelamento da 
água. Ao longo das primeiras 24 horas, ele manteve uma 
média de 37 °C abaixo da temperatura local, alcançando 
um pico de resfriamento de 42,2 °C.
Configuração do experimento. [Imagem: Zhen Chen et al. - 10.1038/ncomms13729]

Refrigeração espacial
A vocação natural desta tecnologia de "refrigeração 
espacial" está na complementação dos sistemas de ar-
condicionado instalados no topo dos edifícios e centros 
comerciais. Ela não conseguirá substituir totalmente os 
sistemas alimentados por eletricidade porque só funciona 
em dias claros - basta o dia ficar nublado para que o efeito 
cesse quase completamente.
A equipe, que já criou uma empresa para comercializar o 
resfriamento passivo, espera também encontrar um 
material mais barato do que o seleneto de zinco utilizado 
para construir o emissor termal, que é muito bom em gerar 
radiação termal nos comprimentos de onda precisos, mas 
é caro.
Além disso, poucas aplicações vão exigir o desempenho 
dramático obtido na demonstração, que reduz a 
temperatura bem abaixo da temperatura de congelamento 
mesmo em regiões muito quentes.

Fonte : 

J.A.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Neutrinos ajudam a explicar origem do universo material

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Mais um interessanrte artigo publicado pela revista eletrônica

 inovação tecnológica no seu artigo publicado 

em  
Simetria CP
Um experimento destinado a medir as mutações 
que os neutrinos sofrem, passando de um tipo para 
outro, está ajudando os físicos a preencherem uma 
das grandes lacunas do Modelo Cosmológico 
Padrão, o modelo do Big Bang: Por que a matéria 
existe, se o modelo propõe que matéria e 
antimatéria foram criadas em quantidades iguais 
no nascimento do Universo?
O experimento, chamado Double Chooz, ainda está 
em andamento na França, conduzido por uma 
colaboração internacional com participação 
brasileira, que envolve cientistas do Centro 
Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), da 
Universidade Federal do ABC (UFABC) e da 
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Esquema do experimento Double Chooz, que está obtendo resultados pioneiros sobre propriedades dos neutrinos.[Imagem: Double Chooz Experiment]
Para a equipe, os experimentos feitos até agora forneceram "conhecimentos cruciais para a compreensão do fenômeno que possibilitou a constituição do universo material".
Pela análise, os físicos concluíram que esse 
fenômeno, chamado "violação da simetria de carga-
paridade dos léptons", produziu, logo depois do Big 
Bang, um pequeno excedente de matéria em 
relação à antimatéria. É esse excedente que 
compõe, atualmente, o universo conhecido.

Tipos de neutrinos
Existem três tipos ou "sabores" de neutrinos: o 
neutrino do elétron, o neutrino do múon e o 
neutrino do tau. A "oscilação dos neutrinos" é o 
nome genérico que se dá para a transformação de 
um tipo em outro - a descoberta dessa conversão 
Física no ano passado.
O experimento Double Chooz consiste na medição 
do fluxo de neutrinos disparado - em uma 
determinada direção e sentido - pela central 
nuclear de Chooz, localizada próximo à fronteira da 
França com a Bélgica. O fluxo é medido por meio de
 dois detectores idênticos, situados respectivamente
 a 400 metros e a 1.050 metros do reator. A 
diferença na quantidade detectada permite calcular 
a transformação de um tipo de neutrino em outro e 
o ângulo de mistura entre os tipos.
A medição precisa desse ângulo de mistura, 
identificado pela sigla Θ13 (lê-se "teta um três"), é 
um dos objetivos principais do experimento Double 
Chooz - não apenas pela informação acerca da 
natureza intrínseca dos neutrinos como, 
principalmente, por sua conexão com a violação da 
simetria de carga-paridade nos léptons, que teria 
produzido o excedente de matéria que constituiu o 
universo.
"Se Θ13 fosse nulo, não seria possível medir, nas 
oscilações, a assimetria de carga-paridade. Porém, 
o Double Chooz forneceu um valor diferente de 
zero. E isso possibilita que experimentos futuros 
obtenham medidas da violação de simetria. Esses 
experimentos de nova geração são necessários 
porque, mesmo com Θ13 diferente de zero, a 
assimetria pode ser nula," explicou Pietro Chimenti, 
membro da colaboração Double Chooz.
Foto do detector interno do experimento Double Chooz, feito ao lado de uma usina nuclear. [Imagem: CEA-Saclay/IRFU-SIS]
Neutrinos
Os neutrinos são a segunda partícula mais 
abundante do universo, depois dos fótons. E, pelo 
fato de não serem suscetíveis à interação 
eletromagnética nem à interação nuclear forte, são 
capazes de atravessar a matéria comum, mesmo 
os corpos mais compactos, sem que seu 
movimento seja barrado ou desviado. Essas 
propriedades singulares lhes conferem um papel 
único na física.

No chamado Modelo Padrão da Física de Partículas, 
o neutrino faz parte da família dos léptons. Para 
cada lépton eletricamente carregado (o elétron, o 
múon e o tau), existe um tipo de neutrino 
correspondente. O que os experimentos que 
ganharam o Nobel de Física de 2015 fizeram foi 
comprovar que um tipo de neutrino se transforma 
em outro, algo que só é possível se o neutrino tiver 
massa - até então os físicos acreditavam que o 
neutrino não tivesse massa.
A demonstração da massa da partícula transformou 
o estudo dos neutrinos em um dos campos mais 
promissores da física atual.
Nosso planeta é atravessado regularmente por 
trilhões de neutrinos das mais diversas origens: 
neutrinos que foram produzidos nos primeiros 
tempos do universo; neutrinos provenientes de 
fontes extragalácticas; neutrinos gerados no interior
 das estrelas da Via Láctea; neutrinos originados no 
Sol; neutrinos resultantes do choque de raios 
cósmicos com a atmosfera terrestre e 
provavelmente muitos etcéteras.
Um outro experimento, chamado Babar, está explorando a simetria carga-paridade-tempo, em busca de confirmar a seta do tempo, ou seja, que o universo não dá marcha-a-ré. [Imagem: Greg Stewart/SLAC]

Decaimento beta
Por exemplo, existem neutrinos produzidos pelo 
processo nuclear conhecido como decaimento beta, 
muito frequente nas usinas nucleares. São estes 
neutrinos que foram e ainda estão sendo medidos 
pelo experimento Double Chooz. O decaimento 
beta é o processo por meio do qual um núcleo 
instável se transforma em outro ao emitir uma 
partícula beta (um elétron ou um pósitron). No 
decaimento Β- (beta menos), um nêutron se 
transforma em um próton, ao emitir um elétron e 
um antineutrino. No decaimento Β+ (beta mais), 
um próton se transforma em um nêutron, ao emitir 
um pósitron e um neutrino do elétron. Além desses 
dois tipos de decaimento, a transformação pode 
ocorrer também por meio da captura eletrônica. 
Nesta, um próton se transforma em um nêutron, 
ao capturar um elétron e um neutrino do elétron.
"Devido à grande potência da central, o fenômeno 
é bastante expressivo em Chooz. E o experimento 
Double Chooz foi montado para medir a 
transformação de neutrinos do elétron em outros 
neutrinos ao se afastarem da fonte que os gerou. O 
experimento deverá se prolongar por ainda mais 
um ano. Mas já proporcionou medidas muito 
importantes do ângulo de mistura Θ13. E isso 
suscita muita expectativa em relação ao estudo da 
assimetria entre matéria e antimatéria. A violação 
da simetria de carga-paridade explicaria por que 
observamos matéria e não antimatéria no 
universo," finalizou Chimenti.

Artigo Correlato:

Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física


Cientistas usam um bote dentro do Observatório de Neutrinos Superkamiokande, formado por milhares de detectores em uma instalação subterrânea, totalmente preenchida com água. [Imagem: Universidade de Tóquio]

Massa dos neutrinos
Duas décadas depois da descoberta das oscilações dos 
neutrinos, que mostrou que essas partículas possuem 
massa, os dois principais responsáveis pela façanha, o 
japonês Takaaki Kajita, do Observatório Superkamiokande 
(Universidade de Tóquio), e o canadense Arthur McDonald,
 do Observatório de Neutrinos Sudbury (Universidade 
Em dois experimentos independentes, as equipes 
lideradas por Kajita e McDonald demonstraram que os 
neutrinos podem mudar de identidade - ou de "sabor", 
conforme o jargão da física de partículas.
Em outras palavras, um tipo de neutrino pode se 
transformar em outro - hoje são conhecidos três tipos de 
neutrinos: do elétron, do múon e do tau.
Para que tal mudança ocorra, é preciso que a partícula 
tenha massa. O chamado Modelo Padrão da Física de 
Partículas considerava até então que o neutrino não 
possuía massa.
Conforme explica o físico Robert Garisto, editor da Physical
 Review Letters, "embora cada neutrino seja produzido com
 um sabor específico, o seu estado quântico pode evoluir 
para uma combinação dos três sabores, com as 
proporções oscilando no tempo. A probabilidade de sua 
detecção como um neutrino do múon, por exemplo, vai 
depender do tamanho do componente múon no neutrino 
no momento da detecção. Quanto menor for a diferença 
de massa entre os sabores, maior será o período de 
oscilação, de modo que as oscilações não poderiam 
ocorrer se todos os sabores tivessem a mesma massa ou 
não tivessem nenhuma massa, já que o efeito depende 
apenas da diferença de massa ao quadrado. O período de 
oscilação também aumenta com a energia do neutrino."
Mar de neutrinos
A conclusão de que os neutrinos têm massa abriu o caminho para a descoberta de uma nova partícula que pode revolucionar toda a tecnologia, os chamados "pontos de Weyl". [Imagem: Ling Lu et al. - 10.1126/science.aaa9273]

A importância da descoberta para o avanço do 
conhecimento é enorme, porque, depois do fóton (a 
partícula da interação eletromagnética), o neutrino 
é o objeto mais abundante do Universo, descontada 
a elusiva matéria escura, cuja existência só é 
depreendida pelo seu efeito gravitacional, mas 
sobre a qual nada se sabe.
Além disso, diferentemente do fóton, o neutrino 
quase não interage com a matéria. Por isso a Terra 
- nós incluídos - recebe e é atravessada 
regularmente por trilhões de neutrinos sem que 
percebamos: neutrinos que foram produzidos nos 
primeiros tempos do Universo; neutrinos 
provenientes de fontes extragalácticas; neutrinos 
gerados no interior das estrelas, entre elas, o Sol; 
neutrinos resultantes do choque de raios 
cósmicos 
com a atmosfera terrestre.
"Os neutrinos têm, por assim dizer, o dom da 
ubiquidade. E são os mensageiros dos confins do 
espaço e dos primórdios do tempo, fornecendo 
informações preciosas sobre a estrutura do 
Universo. Graças à descoberta das oscilações por 
Kajita e McDonald, o estudo dos neutrinos é hoje 
um dos ramos mais dinâmicos da Física, 
mobilizando pesquisadores que trabalham com 
partículas e com Cosmologia, com o micro e o 
macro", explica a professora Renata Zukanovich 
Funchal, do Instituto de Física da Universidade de 
São Paulo (USP).
Descoberta do neutrino
Físicos brasileiros querem abrir uma nova janela para o Universo usando o Detector Mário Schenberg, que está procurando as ondas gravitacionais previstas por Einstein. [Imagem: Xavier P.M.Gratens]


Para avaliar o alcance da descoberta que resultou 
agora no Nobel, é preciso recuar várias décadas. O 
neutrino foi a primeira partícula da Física que teve 
sua existência postulada teoricamente, muito antes 
da descoberta experimental. Tal postulação foi feita 
pelo austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958) em 
1930, para explicar a conservação da energia 
durante o evento nuclear conhecido como 
"decaimento beta".
No decaimento beta, o núcleo atômico, que não tem
 elétrons, emite um elétron. Sabe-se hoje que isso 
resulta da transmutação de um nêutron em um 
próton, com a liberação do elétron. Mas, para que a 
energia final do processo seja igual à energia inicial,
 como exige a lei da conservação da energia, é 
preciso que o núcleo emita também outro tipo de 
partícula além do elétron.
Essa partícula extra proposta por Pauli, que parecia 
um simples artifício, foi inicialmente encarada com 
ceticismo pela comunidade científica. Mas o italiano 
Enrico Fermi (1901-1954) a levou a sério. E, em 
1932, atribuiu-lhe o nome de neutrino, que 
significa "pequeno nêutron" em italiano. O 
brasileiro Mário Schenberg (1914-1990), que 
trabalhou com Fermi, foi um dos primeiros a 
utilizar operacionalmente tal ideia, por meio da 
qual fechou o balanço energético da explosão das 
estrelas supernovas - o detector Mário Schenberg
uma homenagem ao físico, está trabalhando em 
busca de sinais das ondas gravitacionais.
A existência do neutrino foi finalmente confirmada 
em um experimento conduzido pelos norte-
americanos Clyde Cowan e Frederick Reines em 
1956. Em 1995, essa descoberta experimental foi 
contemplada com o Prêmio Nobel, que Reines 
recebeu, em seu nome e no de Cowan, falecido em 
1974.
"No Modelo Padrão, o neutrino faz parte da família 
dos léptons. Para cada lépton eletricamente 
carregado (o elétron, o múon e o tau), existe um 
neutrino correspondente. Portanto, existem três 
neutrinos: o do elétron, o do múon e o do tau", 
explica Renata. "Inicialmente, conhecia-se somente 
o neutrino do elétron. O neutrino do múon foi 
descoberto em 1962 e o neutrino do tau apenas em 
2000."
Oscilação dos neutrinos

O observatório de neutrinos IceCube, com sensores mergulhados em furos que atingem até 2,5 km de profundidade no gelo eterno da Antártica, recentemente descobriu uma nova classe de neutrinos super-energéticos, que ainda aguarda por mais explicações. [Imagem: IceCube/Divulgação]
A hipótese da oscilação, isto é, da mudança de 
"sabor" por meio da qual um neutrino se transforma
 em outro, foi a resposta encontrada para uma 
grave anomalia que se tornou conhecida com o 
desenvolvimento dos processos experimentais. 
Essa anomalia foi constatada já no final da década 
de 1960, em um experimento realizado na mina de 
Homestake, nos Estados Unidos. Destinado a 
detectar e contar os neutrinos do elétron 
provenientes do Sol recebidos no local, o 
experimento mostrou que esse número era apenas 
um terço do esperado. Era como se os neutrinos 
solares estivessem desaparecendo.
"Na verdade, o ocorrido foi uma mudança de sabor. 
Mas isso não se sabia na época. O neutrino e suas 
propriedades foram sendo descobertos aos poucos. 
Apesar de extremamente abundantes, e de 
estarem presentes por toda parte desde o início do 
universo, ignoramos por muito tempo sua 
existência. Os neutrinos estão para a física de 
partículas assim como os micróbios para a 
medicina. Durante milênios interagimos com os 
micróbios sem saber que eles existiam", comentou 
Renata.
Foi essa anomalia entre o número de neutrinos 
esperado e o número de neutrinos contabilizado 
que motivou, nos anos 1990, o experimento Super-
Kamiokande, coordenado por Kajita. Esse 
experimento, realizado em um detector gigantesco, 
com 50 mil toneladas de água, foi desenhado para 
medir neutrinos solares (gerados pelos processos de
 fusão nuclear que ocorrem no núcleo do Sol) e 
também neutrinos atmosféricos (resultantes do 
choque dos raios cósmicos com as partículas 
existentes na atmosfera terrestre).
"O extraordinário no experimento do Super-
Kamiokande é que ele tem direcionalidade. O 
detector é capaz de medir neutrinos a partir da 
direção da qual provêm, desde os neutrinos vindos 
da posição acima do detector até os neutrinos 
vindos do outro lado da Terra", afirmou Renata.
"A grande surpresa foi descobrir que o número de 
neutrinos variava com a direção. Isso também podia
 ser interpretado como uma dependência em 
relação à distância. Porque os neutrinos 
atmosféricos que vêm de cima do detector têm que 
percorrer cerca de 15 quilômetros (que é a altitude 
na qual os raios cósmicos interagem com a 
atmosfera) enquanto que os neutrinos provenientes 
do outro lado da Terra têm que percorrer 15 
quilômetros mais 12 mil quilômetros (que é o 
tamanho do diâmetro da Terra)".
A descoberta feita pelos japoneses podia ser muito 
bem explicada pela oscilação do neutrino do múon 
em um outro tipo de neutrino, na época ainda não 
observado: o neutrino do tau. Esse resultado foi 
apresentado por Kajita em uma conferência 
realizada no Japão em 1998. "Ele não apenas 
chefiou o experimento como fez a análise dos 
resultados obtidos", relatou a pesquisadora.
Neutrinos solares

metro cúbico mais frio do Universo é outro experimentos caçador de neutrinos que está tentando desvendar a antimatéria. [Imagem: Cuore/Laboratório Nacional Gran Sasso]

Depois disso, foi realizado o experimento do 
McDonald para explicar a anomalia descoberta em 
Homestake, no final da década de 1960, na 
contagem dos neutrinos solares. "Este novo 
experimento foi realizado na mina de Sudbury, no 
Canadá, que, aliás, pertence atualmente à empresa 
Vale do Rio Doce. Ele foi concebido especialmente 
para medir neutrinos solares. E observou a 
transformação de neutrinos do elétron (os únicos 
produzidos nas reações de fusão nuclear do Sol) 
em neutrinos do múon e neutrinos do tau", 
detalhou Renata.
A primeira implicação dessas duas descobertas, a 
do Super-Kamiokande e a de Sudbury, é que o 
neutrino tem massa. Uma massa extremamente 
pequena e que ainda não se sabe quanto vale, mas 
que existe. A segunda implicação é que se trata de 
um fenômeno quântico, da escala subatômica, que 
está sendo observado a partir de efeitos 
macroscópicos, por meio de detectores enormes.
"Além disso, como o neutrino têm o dom da 
ubiquidade e é produzido pelos mais variados 
processos, as descobertas de Kajita e McDonald 
provocaram um enorme interesse pelos neutrinos e 
uma reavaliação de tudo o que se sabia sobre o 
papel deles na física de partículas, nos processos 
estelares, na evolução do universo etc. Todas essas 
teorias foram revisitadas desde então. Ainda não 
podemos prever consequências tecnológicas. Mas 
nada impede que isso possa ocorrer no futuro", 
concluiu Renata.
Essa linha de pesquisas tornou-se tão importante 
que hoje existe uma área de estudos conhecida 


Fonte:


J.A.