segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cientistas descobrem oceano no centro da Terra...

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Cientistas descobrem oceano no centro da Terra, 03 vezes maior que todos os oceanos juntos.

Curioso mas todos já sabem desde 1800 que há muito mais do que há no subterrâneo de nosso Planeta, o que ocorre no momento é que novas provas científicas aguçam e estimulam a exploração intraterrestre.
Cientistas das Universidades de Northwestern e do Novo México descobriram um reservatório de água perto do manto terrestre, que tem três vezes mais volume que todos os oceanos do planeta juntos. De acordo com os pesquisadores, a reserva (apelidada de Ringwoodite), fica dentro de uma camada de rocha azul a 660 km de profundidade.
A descoberta foi feita com dados da USArray, uma rede de sismógrafos dos EUA que medem as vibrações de terremotos. O estudo mostrou que a água da Terra pode ter vindo do interior do planeta. Daí, impulsionada para a superfície pela atividade geológica.
“Processos geológicos sobre a superfície da Terra, tais como terremotos e vulcões em erupção, são uma expressão do que está acontecendo no interior da Terra,  sem que possamos ver” , disse Steve Jacobsen, geofísico que liderou o estudo. “Acho que estamos finalmente vendo evidências de um ciclo de água de toda a Terra, o que pode ajudar a explicar a grande quantidade de água em estado líquido na superfície do nosso planeta habitável”, acrescenta.
Além disso, ele diz que a água escondida também pode agir como uma espécie de amortecedor para os oceanos na superfície.  Isso explica por que eles têm permanecido mais ou menos do mesmo tamanho por milhões de anos.
Via: The Guardian.
Vídeo  reportagem .
O G1 publicou em 12/03/2014 este artigo referente ao tema;
 Diamante brasileiro revela que interior da Terra tem reservatório de água.

Diamante que levou a descoberta é procedente do Mato Grosso.
Nele, foram encontradas moléculas de água absorvidas por mineral.

Há 150 anos, em "Viagem ao Centro da Terra", o escritor francês de ficção científica Júlio Verne descreveu um amplo oceano existente nas profundezas da superfície terrestre. Hoje, essa estranha e assombrosa imagem encontrou eco inesperado em um estudo científico.
Em artigo publicado na conceituada revista "Nature" nesta quarta-feira (12), cientistas disseram ter encontrado um pequeno diamante que aponta para a existência de um vasto reservatório abaixo do manto da Terra, cerca de 400 a 600 quilômetros abaixo dos nossos pés.
"Essa amostra fornece, de fato, confirmações extremamente fortes de que há pontos locais úmidos profundos na Terra nessa área", declarou o principal autor do estudo, Graham Pearson, da Universidade de Alberta, no Canadá.
"Essa zona particular da Terra, a zona de transição, pode conter tanta água quanto todos os oceanos juntos", explicou Pearson.
JUNTE TUDO, E ALÉM DE UMA VISÃO SUPERFICIAL, TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES NO VÍDEO DO LINK ABAIXO:
https://www.youtube.com/watch?v=8QJJ1RYALiU
Fontes:
José Amilton

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cresce a preocupação com o lixo atômico do complexo de Angra dos Reis

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Desde que o governo brasileiro lá nos anos 60, durante o regime militar, resolveu que o país entraria na corrida nuclear para exploração pacífica, que existia uma preocupação com o lixo e os rejeitos atômicos.
 A retórica do governo eram as seguintes;
-Dotar o país do conhecimento.
-Dotar o país do uso e exploração pacífica.
-Afiançavam que todas grandes nações utilizavam a tecnologia e que os rejeitos eram acondicionados, de forma confiável.
-Mais tarde os militares deixaram um viés para que o Brasil construísse uma bomba nuclear no futuro. Hipótese descartada no governo Collor de Mello quando o local reservado no centro oeste foi lacrado e fechado.
-Nos anos 80 a marinha resolveu fazer um projetos para construir submarinos inclusive nucleares, projeto este, que este bem adiantado.

Vamos ao histórico:

Angra 1 é uma usina nuclear brasileira que integra a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. Situada na Praia de Itaorna, em Angra dos Reis, foi a primeira usina do programa nuclear brasileiro, que atualmente conta também com Angra 2 em operação, Angra 3 em construção e mais duas novas usinas a serem construído na região Nordeste, conforme o planejamento da Empresa de Pesquisa Energética - EPE.
Angra 1 teve sua construção iniciada em 1972, tendo recebido licença para operação comercial da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN em dezembro de 1984. É uma usina tipo PWR (Pressurized Water Reactor) onde o núcleo é refrigerado por água leve, desmineralizada. Foi fabricada pela Westinghouse e é operada pela Eletro nuclear.
Sua potência elétrica nominal bruta é de 640 MW.
Unidade a direita da Foto.

Ocorre que problemas no projeto original a levaram sofrer alterações para se tornar mais segura.
Nos primeiros anos de sua operação, Angra 1 enfrentou problemas com alguns equipamentos que prejudicaram o funcionamento da usina. Essas questões foram sanadas em meados da década de 1990, fazendo com que a unidade passasse a operar com padrões de desempenho compatíveis com a prática internacional. Em 2010, a usina bateu seu recorde de produção, fato que se repetiu novamente em 2011.
Esta primeira usina nuclear foi adquirida da empresa americana Westinghouse sob a forma de “turn key”, como um pacote fechado, que não previa transferência de tecnologia por parte dos fornecedores. No entanto, a experiência acumulada pela Eletrobrás Eletronuclear em todos esses anos de operação comercial, com indicadores de eficiência que superam o de muitas usinas similares, permite que a empresa tenha, hoje, a capacidade de realizar um programa contínuo de melhoria tecnológica e incorporar os mais recentes avanços da indústria nuclear.  
Um exemplo disso foi a troca dos geradores de vapor – dois dos principais equipamentos da usina – realizada em 2009. Com a substituição, a vida útil de Angra 1 poderá ser estendida, permitindo que a usina esteja apta a gerar energia para o Brasil por décadas.  

Angra 2 é a segunda das usinas nucleares que formam a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. Situada na Praia de Itaorna, em Angra dos Reis, entrou em operação comercial no ano de 2001.
É uma usina do tipo PWR - Pressurized Water Reactor, com o núcleo refrigerado a água leve desmineralizada. Foi fornecida pela Siemens - KWU da Alemanha, no âmbito do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e é operada pela Eletronuclear. Com potência nominal de 1300 MW (aproximadamente 50% do consumo do Estado do Rio de Janeiro), produziu no ano de 2008 um total de 10.448.289 MWh.
Sala dos geradores de Angra 1 e 2 :
Em abril de 2008 Angra 2 alcançou a marca de 80 milhões de MWh produzidos desde sua entrada em operação.
Angra 2 foi a primeira usina construída a partir do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, firmado em 1975. As obras civis da usina foram contratadas à Construtora Norberto Odebrecht e iniciadas em 1976 com o estaqueamento. O início da construção propriamente dita se deu em setembro de 1981, com a concretagem da laje do prédio do reator. Entretanto, a partir de 1983, o empreendimento teve o seu ritmo progressivamente desacelerado devido à redução dos recursos financeiros disponíveis.
Em 1991, o governo decidiu retomar as obras de Angra 2, sendo realizada em 1995 a concorrência para a contratação da montagem eletromecânica da Usina. As empresas vencedoras se associaram formando o consórcio UNAMON, o qual iniciou as suas atividades no canteiro em janeiro de 1996.
A usina tornou-se operacional em julho de 2000, iniciando a operação comercial em fevereiro de 2001.
Angra 2 opera em ciclos de 14 meses, parando ao final de cada ciclo durante aproximandamente 30 dias para troca de 1/3 do seu combustível. A primeira parada foi realizada entre março e abril de 2000, e até maio de 2013 haviam sido feitos 10 reabastecimentos. 
Subestação de Angra 1 e 2.


Projetada para produzir 1309 MW, ao entrar em operação Angra 2 alcançou a potência de 1360 MW graças a atualizações do projeto. Dentre as usinas do tipo PWR existentes no mundo, Angra 2 foi avaliada pela Wano (World Association of Nuclear Operators) como acima da média em 8 dos 13 parâmetros de desempenho, alcançando em três deles a melhor performance da categoria. Com a produção de 10.488.289 MWh em 2008, a usina ocupou o 21º lugar mundial, sendo que apenas 38 usinas, das 436 em operação no mundo, alcançaram mais de 10 milhões de MWh naquele ano.

Angra 3 é primeira usina nuclear do país projetada para dar lucro.

A usina de Angra 3 é o primeiro projeto de geração de energia nuclear no Brasil desenhado para ser lucrativo. Os anteriores, Angra 1 e Angra 2, não tinham essa missão por incorporar os custos de aquisição e desenvolvimento de tecnologia nesse segmento, explica Iukio Ogawa, superintendente de Licenciamento e Meio Ambiente da Eletronuclear, empresa do grupo Eletrobrás responsável por construir e operar usinas termonucleares no País.
"Angra 3 é a primeira que não carrega um passivo de alguma natureza. É uma usina planejada para dar retorno, que não carrega outros custos associados ao pioneirismo. Por isso, encerra um ciclo. A partir de agora, o País começa a dispor de uma nova forma de geração de energia a custo competitivo", afirma Ogawa, que participou do comitê de Meio Ambiente da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (21/08).

Cálculos de viabilidade econômico-financeira de Angra 3 estimam que a usina tenha rentabilidade de 10% e alcance o completo retorno do capital investido em 23 anos. Segundo o executivo, Angra 1, a primeira experiência, não se pagará do ponto de vista de geração de energia. Já Angra 2, que embutiu os custos do aprendizado do processo de enriquecimento de urânio, poderá atingir o ponto de equilíbrio ao longo de sua vida útil, calculada em 60 anos.

Nesta foto à direita o local onde esta sendo construída a Unidade 3.
Imagens da construção;
Do YouTube:

Obras Da Usina De Angra III Estão Atrasadas



A notícia preocupante veio através destas reportagens do Jornal Estado de São Paulo no link abaixo;


O Grupo Globo através do G1 também noticiou;
Falta de espaço para lixo atômico pode desligar usinas de Angra 1 e 2.

Relatório enviado ao TCU diz que Angra 2 pode ser desligada em 2017. 
Capacidade de armazenamento de combustível está quase esgotada.

Em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) aponta que o desligamento de Angra 2 pode ocorrer em 2017, e o de Angra 1, entre 2018 e 2019. “Além disso, a entrada em operação de Angra 3 também poderá ser afetada”, diz o relatório.
O combustível nuclear usado é armazenado inicialmente em piscinas no interior das próprias usinas, o que deve ocorrer também em Angra 3. A capacidade dessas piscinas, no entanto, estará esgotada em 2018 (Angra 2) e 2020 (Angra 1).
Para resolver o problema de falta de espaço, uma unidade de armazenamento complementar (UFC) deve ser construída dentro da área das usinas a um custo de R$ 577 milhões. A previsão inicial é que ela entrasse em funcionamento em dezembro de 2017 e garantisse o armazenamento do lixo até 2040. No entanto, o maior risco é que a obra, que ainda não começou, não seja concluída a tempo.
De acordo com o relatório, a Eletronuclear – empresa que opera as usinas – informou que “caso haja atraso ou insucesso no processo de implantação e liberação” da unidade complementar, “a produção de energia elétrica pelas usinas poderá vir a ser prejudicada”. “Dessa forma, verifica-se que eventual atraso ou insucesso na execução do cronograma de implantação da UFC constitui severo risco de prejuízos financeiros, operacionais e de segurança para a Eletronuclear, uma vez que a própria operação das usinas poderá ser paralisada”.

Ainda segundo o documento, a probabilidade de que isso ocorra é “bastante alta” devido aos processos de licenciamento e a contratação de terceiros para execução das várias etapas do projeto, “sendo comum a ocorrência de atrasos em situações desse tipo”.
Um depósito final de rejeitos radioativos também (RBMN) também está em projeto e deve exigir investimentos de R$ 261 milhões. Um cronograma de novembro de 2013 prevê a entrada em operação desse depósito em 2019, mas o documento também aponta “alto risco” de atraso. A Cnen afirma que está em fase de estudo para seleção do local que abrigará esse repositório.
No documento, aprovado pelo TCU no último dia 30 de abril, o órgão dá 90 dias para que a Comissão Nacional de Energia Nuclear tome as providências necessárias.

A água emite luz azul devido ao Efeito Cherenkov:

"Quando uma partícula carregada eletricamente atravessa um meio isolante a uma velocidade superior à da luz neste meio, ela emite radiação eletromagnética que pode ser na faixa visível. A esta radiação dá-se o nome de radiação de Cherenkov (ou efeito Cherenkov). A luminosidade azul, característica de reatores nucleares, deve-se à radiação de Cherenkov. O nome é em homenagem ao cientista soviético Pavel Cherenkov, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1958, que primeiro caracterizou rigorosamente o efeito."
Reator, coração de uma usina nuclear: local onde começa o processo de produção da energia elétrica.
Técnico da Eletronuclear mede nível de radiação no reator da usina de Angra 2 durante troca de combustível nuclear.
Empregados da Eletrobras Eletronuclear saem de área controlada: profissionais utilizam roupas especiais para o trabalho no edifício do reator.
O ciclo de como guardar estes resíduos estão nesta outra reportagem da revista época publicada em 2008:

Onde guardar o lixo nuclear?

Essa é a questão no Brasil. A Finlândia, cujo projeto de depósito virou referência mundial, mostra que não há solução simples
Marcela Buscato, de Olkiluoto, Finlândia
A reação é microscópica: dentro dos dois reatores da central nuclear de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, bilhões de núcleos de átomos de urânio se dividem e geram 3% da eletricidade consumida no Brasil. Os resíduos produzidos em duas décadas de operação são de uma ordem bem maior. Quase 446 toneladas de combustível usado – e radioativo durante milhares de anos. Até hoje, esse material não tinha despertado a atenção dos brasileiros. Mas, com a pretensão do governo de retomar seu programa nuclear, o problema apareceu. Há planos para a construção de mais quatro a oito usinas no país. A retomada das obras de Angra 3 já é dada como certa e, até o fim do ano, um comitê de ministros deverá decidir quantas usinas mais serão construídas. Isso aumentará a produção de lixo nuclear.
O problema não é exclusivamente brasileiro. Nenhum país do mundo conta com um depósito definitivo em funcionamento. A solução encontrada até agora, também a usada no Brasil, é guardar esse material dentro das piscinas especiais nas centrais nucleares. É uma solução provisória, até que se encontre um meio de armazenar o combustível usado. Mas que lugar e que tecnologias são suficientemente seguros para garantir o isolamento de um material capaz de emitir radiação em níveis letais por milhares de anos?
O Brasil deparou com essa questão pela primeira vez nas últimas semanas, depois de 23 anos do início da operação de sua primeira usina nuclear. O Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente encarregado do licenciamento ambiental, condicionou o início da operação de Angra 3, previsto para 2014, à aprovação de um projeto de depósito definitivo. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que promove e fiscaliza a energia nuclear no Brasil, não concordou com a exigência. E quis torná-la mais branda. Comprometeu-se a apresentar até 2010 um modelo do que chamou de “depósito intermediário de longa duração”. Isso significa que o combustível radioativo poderá ficar guardado por 500 anos, em vez de milhares de anos. Segundo a CNEN, o combustível dos reatores, armazenado em estruturas metálicas com varetas contendo urânio, seria colocado em cápsulas de aço e guardado em um depósito escavado em uma rocha ou construído com paredes reforçadas de concreto.
A contenda entre o Ministério do Meio Ambiente e a CNEN expõe um ponto delicado para a expansão do uso da energia nuclear no mundo. A Agência Internacional de Energia Atômica aposta em um crescimento de mais de 20% na geração desse tipo de energia nos próximos 20 anos porque ela é apontada como uma das opções para frear o aquecimento global. Seu ciclo de produção quase não gera gás carbônico, causador do efeito estufa. Mas a questão dos resíduos ainda é um impedimento: além de despertar a rejeição da população, projetar e construir um depósito definitivo encarece os custos da empreitada nuclear. Uma das respostas mais promissoras está no subsolo gelado do extremo norte da Europa. A Finlândia – país de apenas 5,2 milhões de habitantes, conhecido pela agilidade de suas instituições e pelos baixos níveis de corrupção – recebe todos os anos visitantes de diversos países interessados em seu projeto de depósito.
A idéia é construir um sistema de túneis, a 500 metros de profundidade, onde as varetas com as pastilhas de urânio seriam enterradas em cápsulas de ferro fundido e cobre. O custo estimado de construção e operação, 3 bilhões de euros, seria embutido na tarifa de energia paga pelos consumidores. O local já foi escolhido: Olkiluoto, uma ilha na costa oeste do país, que parece ter vocação nuclear. É lá que estão duas das quatro usinas finlandesas, responsáveis por 25% da energia do país. Um terceiro reator está sendo construído na ilha e há um projeto para a instalação de outro. Por isso, a localização do futuro depósito é estratégica: facilita o transporte dos rejeitos radioativos e ajuda na aceitação da população local, habituada à vizinha nuclear, geradora de empregos desde o fim da década de 1970.
O depósito finlandês ainda está na fase de pesquisa. Só começará a funcionar em 2020 – se cumprir os requisitos ambientais
A Posiva, empresa responsável pelo futuro depósito, trabalha em Olkiluoto desde 2004, escavando túneis usados como uma espécie de laboratório subterrâneo, chamado Onkalo (buraco, em finlandês). No futuro, eles farão parte do depósito final, servindo como túneis de acesso e ventilação. Por enquanto, servem apenas como base para verificar se a região é segura para a construção do abrigo. Só em 2012, quando o governo finlandês tiver analisado os dados obtidos em Onkalo, vai decidir se dará a licença para a construção do depósito. Se não houver imprevistos, o depósito começará a funcionar em 2020.
Apesar de ter se tornado referência internacional, o projeto finlandês não é uma unanimidade. Ambientalistas questionam a segurança do modelo e acusam a indústria nuclear finlandesa de vender internacionalmente a idéia de que o depósito já está em construção, embora as obras sejam apenas parte dos estudos. Isso seria uma estratégia de marketing para amenizar a preocupação popular com os rejeitos nucleares e incentivar a implantação de novas usinas. “A Finlândia está sendo usada como mascote para promover a energia nuclear globalmente”, afirma Lauri Myllyvirta, coordenador da campanha de energia do Greenpeace finlandês.
O modelo nuclear da Finlândia é considerado exemplar pela Agência Internacional de Energia. A nova usina está sendo construída pelas empresas distribuidoras de eletricidade, que recebem a energia a preço de custo. Por isso, podem repassá-la para os consumidores com tarifas mais baratas. A aprovação da população finlandesa a esse tipo de energia também é considerada referência. A indústria nuclear no país faz pesquisas desde 1983 para medir a aceitação popular, que só cresceu de lá para cá. Segundo a última pesquisa, referente a 2007, 43% dos entrevistados apoiavam a construção do novo reator. Mas até a simpatia dos finlandeses à energia nuclear é abalada quando o assunto é o destino do lixo. A mesma série de pesquisas mostra que desde a década de 1980 quase a metade dos entrevistados acha que não é seguro enterrar o combustível usado.
Antes de liberar a construção do depósito, o governo finlandês levará em conta as preocupações de segurança dos ambientalistas. Teme-se que a estrutura do depósito não resista aos milhares de anos necessários para que o lixo nuclear se torne inofensivo porque a geologia costuma mudar naturalmente em uma escala temporal tão longa. Na Finlândia, essa preocupação é agravada porque o gelo escava a superfície do solo e modifica o fluxo dos lençóis freáticos, que podem levar material radioativo para outras regiões. “O depósito fica a menos de 100 metros do mar. Se houver um vazamento, o combustível nuclear pode escapar para o oceano”, diz Myllyvirta, do Greenpeace.
A Posiva afirma que todas essas variáveis estão sendo analisadas. “Não podemos prever o que acontecerá com o ambiente em milhares de anos, nem ter certeza sobre como isso afetará as construções humanas”, diz Timo Seppälä, porta-voz da empresa. “Mas nossos estudos mostram que, mesmo que ocorram alguns vazamentos, não será em um nível nocivo ao meio ambiente.”

Desde a década de 1970, os EUA debatem a construção de um depósito. E ele não ficará pronto antes de 2017
A incerteza sobre a integridade dos depósitos durante milhares de anos explica por que ainda não há nenhuma construção desse tipo no mundo. No Japão, Toyo, a única cidade que se candidatou a abrigar um depósito, em troca de subsídios governamentais, voltou atrás em abril do ano passado. A Suécia, que tem um projeto parecido com o da Finlândia, só deverá escolher o local do depósito definitivo no ano que vem. A França estuda guardar o combustível radioativo em um depósito na cidade de Bure, mas a previsão é de que a construção comece depois de 2015.
O caso mais complicado é o americano. Desde a década de 1970, os Estados Unidos estudam um local para enterrar o lixo nuclear espalhado por 126 instalações, em 39 Estados. Já foram gastos US$ 9 bilhões em pesquisas e na construção de um túnel com 8 quilômetros de extensão e 300 metros de profundidade, na Montanha Yucca, no Estado de Nevada. Até agora, os planos do depósito não saíram do papel. Algumas das centrais nucleares americanas estão esgotando a capacidade de suas piscinas para armazenar combustível. A usina de Indian Point 2, no Estado de Nova York, está transferindo o lixo altamente radioativo para pátios, onde é armazenado em contêineres de aço e concreto.

PROIBIDO MERGULHAR 
Piscina com o combustível radioativo usado em Angra 1. É uma solução provisória
O governo americano paga às usinas pelos gastos delas com a administração do lixo, que já deveria ter passado para o Estado. O prejuízo poderá chegar a US$ 35 bilhões. Por isso, está tentando acelerar a construção na Montanha Yucca. Em junho, a Secretaria de Energia submeteu o pedido de licença para a construção. A perspectiva mais otimista é que o depósito seja inaugurado em 2017.
O Brasil ainda está longe de ter um projeto como o dos EUA ou da Finlândia. Não há local definido para o depósito nem estimativa de custo. Os responsáveis pelo programa nuclear brasileiro ainda discutem o que é lixo nuclear. “O combustível usado não é lixo”, afirma o presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves. “Ele pode ser usado novamente porque conserva 40% de seu potencial energético.” É por isso que o projeto brasileiro prevê a construção de um abrigo de 500 anos. O objetivo é reciclar o combustível. É uma promessa que encontra resistência. No reprocessamento, é possível obter plutônio, usado na construção de armas nucleares. Outra desvantagem é o alto custo: por enquanto, reprocessar o urânio sai mais caro que retirá-lo da natureza. “O reprocessamento ainda não é viável”, diz Leonam dos Santos Guimarães, porta-voz da Eletronuclear, a empresa que administra as usinas de Angra. “Mas precisamos dar às próximas gerações o direito de usar essa fonte de energia.”
A aposta de Guimarães nas soluções futuras é partilhada por Anneli Nikula, porta-voz da TVO, empresa operadora das usinas finlandesas de Olkiluoto. “Estamos construindo um depósito tão seguro que não precisará ser monitorado depois de lacrado”, diz. “Mesmo assim, sempre penso que as novas gerações não serão menos inteligentes que nós. Elas encontrarão maneiras mais fáceis de controlar a radiação.” O dilema do lixo nuclear é que só no futuro distante ficará claro se deixamos um belo presente ou um grande fardo para as futuras gerações.



Destino do lixo nuclear, herança para nossos filhos.

A verdade é que depois de Chernobyl e Fukushima existem uma atenção mundial para estes assuntos ligados a segurança ambiental e se seria alguma vantagem continuar investindo numa forma de geração de energia de tão alto risco.

Fontes:







J.A.