quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bateria fina e flexível dispensa o lítio

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A Revista Eletrônica Inovação Tecnológica - 29/04/2014 

apresentou este interessante artigo na pesquisa sobre
novas tecnologias de baterias.

A "superbateria" reteve 76% de sua capacidade depois de 10.000 ciclos de carga e descarga e 1.000 ciclos de flexionamento. [Imagem: Rice University]


Bateria ou supercapacitor?
Uma bateria de grande capacidade, mas que é leve,
 flexível e que não usa lítio.
Isso é o que prometem Yang Yang e seus colegas da
Universidade Rice, nos Estados Unidos.
O protótipo da bateria, com a espessura de uma 
folha grossa de plástico, possui eletrodos sólidos de
 níquel-fluoreto, dispostos em uma estrutura 
nanoporosa que aumenta sua área superficial.
Tecnicamente o dispositivo é um supercapacitor,
 embora a fronteira 
entre supercapacitores e baterias esteja cada vez
 mais difícil de traçar.
Nos testes, essa "superbateria" reteve 76% de sua
 capacidade depois de 10.000 ciclos de carga e 
descarga e 1.000 ciclos de flexionamento.
"Em comparação com uma bateria de íons de lítio, a
estrutura é incrivelmente simples e segura," disse
 Yang. "Se nós a usarmos como um supercapacitor,
 podemos descarregá-la rapidamente com uma 
elevada taxa de corrente. Mas, para outras 
aplicações, descobrimos que podemos ajustá-la para
 carregar mais devagar e descarregar lentamente,
 como uma bateria."
Para criar a bateria/supercapacitor, a equipe 
depositou uma camada de 900 nanômetros de 
espessura de níquel e flúor sobre um substrato de
 suporte.
Essa camada foi entalhada para criar poros de 5
 nanômetros, dando-lhe uma elevada área superficial
 para o armazenamento de energia.
Depois que o suporte foi removido, os eletrodos 
foram ensanduichados por um eletrólito de hidróxido
 de potássio imerso em álcool polivinílico.
Segundo o professor James Tour, orientador do 
trabalho, já há empresas interessadas em produzir a
 bateria/supercapacitor em escala industrial.
Bibliografia:

Flexible Three-Dimensional Nanoporous Metal-Based Energy Devices
Yang Yang, Gedeng Ruan, Changsheng Xiang, Gunuk Wang, James M. Tour
Journal of the American Chemical Society
Vol.: Article ASAP
DOI: 10.1021/ja501247f
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bateria-fina-flexivel-dispensa-litio&id=010115140429&ebol=sim#.U2FkW4FdXSk
J.A.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

A procura de novas fontes de energia limpas e renováveis – Nona Parte

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O "Gelo de fogo".

Uma nova forma de energia disponível que os pesquisadores encontraram foi o gás conhecido como hidrato de metano ou simplesmente "Gelo de fogo".


Embora, também não seja uma fonte ecologicamente limpa, no entanto é uma promissora fonte de energia de hidrocarbonetos.

Esses cristais são formados a partir de uma combinação de temperaturas baixas e pressão elevada. [Imagem: Wikipedia/Wusel007]

Como temos relatado ao longo deste tópico, cada vez maior o esforço em busca de alternativas aos hidrocarbonetos tradicionais - petróleo, carvão e gás natural - seja porque eles são poluentes, seja porque sua extração tem-se tornado mais difícil.
Um substituto potencial que vem ganhando atenção é o hidrato de metano, encontrado em enormes quantidades sob o permafrost - o solo gelado do Ártico - ou os leitos dos oceanos.
Porém, apesar de potencialmente menos poluente que petróleo e carvão, sua extração apresenta enormes riscos ambientais.
Gás hidratado
Conhecido como "gelo que arde", o hidrato de metano - mais rigorosamente um clatrato de metano (CH4*5.75H2O) - é constituído por cristais de gelo com gás preso em seu interior.
Esses cristais são formados a partir de uma combinação de temperaturas baixas e pressão elevada e são encontrados no limite das plataformas continentais, onde o leito marinho entra em súbito declive até chegar ao fundo do oceano.
Ao reduzir a pressão ou elevar a temperatura, a substância simplesmente se quebra em água e metano - muito metano.
Um metro cúbico do composto libera cerca de 160 metros cúbicos de gás, o que o torna uma fonte de energia altamente intensiva. Por causa disso, da sua oferta abundante e da relativa facilidade para liberar o metano, um número grande de governos está cada vez mais animado com essa nova fonte de energia.
Acredita-se que as reservas dessa substância sejam gigantescas - a estimativa é de que haja mais energia armazenada em hidrato de metano do que na soma de todo petróleo, gás e carvão do mundo.
Extração do gás hidratado
O problema, porém, é extrair o hidrato de metano. Além do desafio de alcançá-lo no fundo do mar, operando sob altíssima pressão e baixa temperatura, há o risco grave de desestabilizar o leito marinho, provocando deslizamentos.
Uma ameaça ainda mais grave é o potencial escape do metano. Extrair o gás de uma área localizada não é tão complicado, mas prevenir que o gás hidratado se quebre e libere o metano no entorno é mais difícil.
E isso tem conseqüências sérias para o aquecimento global - estudos recentes sugerem que o metano é 30 vezes mais forte que o CO2 em termos de efeito estufa.
Por causa desses desafios técnicos, ainda não há escala comercial de produção de hidrato de metano em qualquer lugar do mundo.
Mas alguns países estão chegando perto.
Distribuição global de reservas de hidratos de metano.
 Experimentos tímidos
Os Estados Unidos, o Canadá e o Japão já investiram milhões de dólares em pesquisa e já realizam alguns testes.
Os Estados Unidos lançaram um programa de pesquisa e desenvolvimento nacional já em 1982 e, em 1995, tinham terminado a sua avaliação dos recursos disponíveis do gás de hidratos no país. Desde então, têm realizado projetos-piloto na costa da Carolina do Sul, no norte do Alasca e no Golfo do México. Cinco ainda estão em execução.
Os experimentos mais bem-sucedidos ocorreram no Alasca em 2012 e na costa central do Japão em 2013, quando, pela primeira vez, a extração de gás natural a partir de hidrato de metano no mar teve êxito.
Maior importador de gás do mundo, o interesse do Japão é óbvio, embora o orçamento anual do país para pesquisa na área é relativamente baixo - US$ 120 milhões (cerca de R$ 270 milhões) - embora o governo fale em produzir hidrato de metano em escala comercial no fim desta década.
A China e a Índia, com demandas enormes por energia, continuam tímidos em seus esforços para explorar o recurso.
Assim, mesmo os especialistas parecem céticos, sobretudo levando em conta a concorrência da indústria petrolífera e das enormes reservas de gás e petróleo de vários dos países que poderiam capitanear os esforços de extração do hidrato de metano.
O fato é que a Agência Internacional de Energia (IEA) ainda não inclui o gás hidratado nas suas projeções globais de energia para os próximos 20 anos.
Riscos ambientais
Mais preocupados estão os ambientalistas.
Se essa nova fonte de energia for explorada, o que parece provável no futuro, as implicações ambientais podem ser extensas.
Apesar de ser menos poluente que o carvão ou o petróleo, o gás hidratado continua sendo um hidrocarboneto e, portanto, emite CO2. E há ainda o risco mais sério da liberação direta de metano na atmosfera.
Alguns argumentam, porém, que pode não haver alternativa, na medida em que o aumento da temperatura global pode provocar a liberação do gás naturalmente, devido ao aquecimento dos oceanos e ao eventual derretimento das calotas polares.
Se essas prospectivas ambientalistas estiverem corretas, a decisão futura poderá ficar entre escolher explorar o gás hidratado ou deixá-lo vazar na atmosfera.
As noticias que circularam deram conta que o Japão conseguiu extrair com sucesso o gás mais de 13 mil metros cucos de gás.
A Revista Info traz esta noticia:
Tóquio - Cientistas japoneses conseguiram nesta terça-feira pela primeira vez extrair do fundo do mar gás a partir de hidrato de metano, uma fonte de energia que poderia salvar o Japão da deficiência energética.
Após vários anos de preparativos, o primeiro teste começou durante a manhã, informou o ministro da Indústria do Japão, Toshimitsu Motegi.
"Pretendemos consolidar as tecnologias para explorá-las comercialmente", explicou.
"Conseguimos produzir um pouco de gás esta manhã, quatro horas depois do início do teste", afirmou uma fonte do ministério.
O objetivo é alcançar uma extração estável durante duas semanas.
Motegi manifestou satisfação, pois tecnicamente a produção de gás a partir de hidrato de metano é mais complexa que a de gás de xisto, considerado por alguns como um recurso revolucionário.
O teste da extração, coordenado pela empresa estatal japonesa de Petróleo, Gás e Metais (JOGMEC) e pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada do Japão, aconteceu na costa do município de Aichi.
O experimento, realizado a 330 metros debaixo da terra (1.000 metros de profundidade marinha), consiste em provocar uma queda da pressão para recuperar o gás, preso na água de forma cristalina.
O fundo do mar do arquipélago nipônico contém grandes quantidades deste recurso.
"O Japão está cercado (por este gás), mas, por exemplo, é encontrada pouca quantidade nas costas do leste da África. Isto se explica porque os hidratos de metano se encontram presentes sobre tudo em lugares fortemente sísmicos", explicou Chiharu Aoyama, especialista em recursos energéticos.
Segundo algumas estimativas, o Japão teria quantidades equivalentes a um século de consumo energético. Atualmente, o país depende da produção estrangeira, pois importa 95% da energia que consome.
Além disso, o consumo de gás no Japão aumentou nos últimos dois anos, desde que a grande maioria dos 50 reatores nucleares do país foram paralisados após o acidente nuclear de Fukushima em 2011.
O atual governo considera a situação como algo economicamente insustentável e propõe retomar a operação dos reatores atômicos considerados seguros.
"Desejo que chegue rapidamente o dia em que o Japão possa utilizar seus recursos naturais e consiga superar um a um todos os obstáculos", declarou Motegi.
Os hidratos de metano foram descobertos há dois séculos, mas até agora nenhum país havia conseguido extraí-lo pela dificuldade técnica e pelo alto custo da perfuração de um poço no fundo do mar.
Os avanços tecnológicos do Japão, o país mais avançado neste campo, são essenciais.
O Estado nipônico criou em 2001 um consórcio para explorar os hidratos de metano. O projeto de pesquisa, que deve prosseguir até 2019, prevê um segundo teste de extração entre 2014 e 2015.
Este tipo de gás é teoricamente adequado para o transporte de longas distâncias e, eventualmente, poderia competir com o gás natural liquefeito (GNL) ou o gás de xisto.
Uma das principais vantagens é que a temperatura e a pressão necessárias para sua estabilização são menos estritas que as do GNL.
Fontes:
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Hidrato_de_clatrato

J.A.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

FALANDO DE BATERIAS E CLIENTES...

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Um dos problemas que os profissionais que trabalham no campo se deparam é relacionado com os responsáveis pelos equipamentos em questão.
Seja por soberba ou auto-afirmação perante os comandados, muitos deles questionam assuntos técnicos que não compreendem ou não entendem relacionados a situações antigas e similares que trataram.

Há pouco tempo estivemos numa empresa que reclamava em desligamento de um no-break numa falha da rede elétrica da concessionária.

Depois de verificar o equipamento informamos que era um problema nas baterias.
O responsável disse que era impossível. As baterias eram relativamente novas e que em outra unidade num equipamento antigo tinha as mesmas baterias e funcionavam normalmente, deveria ser problema no no-break.

Explicamos que a bateria original que tinha acompanhado o equipamento, era selada VLRA e que na troca que eles fizeram após 3 anos, optando por outro tipo derivativo das automotivas de custo mais barato, mas no entanto, implicava em ter um carregador preparado para fornecer tensão de recarga.

O sujeito discutiu que aquela bateria tinha sido vendida como selada também.

Mais uma vez expliquei didaticamente que não era bem assim. Falei que as baterias seladas VLRA tinham o ácido imobilizado e utilizavam o processo de recombinação de gases. Aquela em questão tinha solução, um flutuador para indicar o nível de carga e não eram seladas e sim blindadas, trabalhando em posição única para não ocorrer vazamentos da solução.

O cara não se convencia e falava grosso perante seus comandados no CPD da empresa. Ameaçou trocar o no-break, e voltava a falar na outra planta deles que possuía um no-break antigo.

Expliquei por fim, que as baterias para uso em no-break´s tem que estarem de conformidade com o projeto dos equipamentos.
Baterias que utilizam solução acida ou soluções alcalinas precisam que o carregador tenha outra função além da tensão de flutuação. Eles dispõem de um sensor de corrente no link de bateria que aciona outro nível de tensão, "a tensão de recarga". Com esta tensão mais alta todo o eletrólito interno da bateria será movimentado, deixando a solução mais homogenia e permitindo o pleno carregamento delas.
Os no-break´s que utilizam baterias seladas, a própria tensão de flutuação é suficiente para recarregar as baterias.
O Gerente geral que estava perto entendeu e me fez um sinal.

Na realidade, este cliente sofreu com série de interrupções de rede na região durante aquele mês. Em dias anteriores tinha sofrido um a falha de rede e as baterias já deram sinal ao segurarem por aproximadamente 5 minutos, quando o normal seria algo próximo há uma 1 hora.

Um fator também a ser levado em consideração é quando se tem duas ou mais  interrupções da rede elétrica. A bateria, qualquer que seja, ao sofrer uma descarga ela demora um período para se carregar novamente. Se neste período ocorrer uma nova falha da rede, elas vão se comportar como uma bateria em final de vida útil. O degrau de sub-tensão será maior podendo atingir o nível de atuação do sensor de bateria baixa, desligando o inversor do no-break. Esse processo é conhecido como efeito saco.
Baterias Seladas VLRA.




Encerrando, baterias seladas trabalham com tensão de flutuação constante, corrente de recarga limitada em 10% da capacidade plena da bateria e temperatura ambiente de 25 °C. Podem trabalhar em posição diferente e dentro de ambiente condicionados.



Baterias com solução precisam de recarga, portanto, a fonte tem que elevar a tensão de flutuação para no mínimo 2,35 Volts por elemento. Suportam bem uma corrente mais alta inicial bem como a temperatura ambiente. Só operam na posição normal, sendo desejável que fiquem em ambiente separado e ventilado.

Alerta:
Relembrando o que já publiquei há um ano atrás.
Com a chegada do inverno no sul do Brasil, quem trabalha com baterias que operam em locais sem condicionamento térmico, deve ficar alerta com relação a temperaturas baixas.
Baterias são acumuladores eletroquímicos e como tal é muito sensível a grande amplitude de variações térmicas. Com relação a temperaturas muito baixas alterará as condições da reação química das baterias e com isso, teremos alteração do desempenho.
O primeiro é a perda de autonomia e sensibilidade a degraus de carga profunda.
O segundo se refere a dificuldade do carregamento, insuficiência da tensão face aquela temperatura.
Estes dois processos poderão levar baterias, principalmente as em final de vida útil, a danos irreparáveis.

A área de Telecomunicações resolveu parcialmente isso com uma norma da Telebrás que recomendava que as fontes tivessem compensação da tensão em função da temperatura. 



J.A.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Raios – As novas e fantásticas descobertas da ciência - Terceira Parte

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Terceira Parte:

Brasileiros estudam fenômenos relacionados à eletricidade atmosférica, como os raios.

 Pesquisadores brasileiros reunidos no Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Materiais Complexos Funcionais (Inomat), que tem sua sede na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciaram uma pesquisa neste sentido, a água eletrizada.

 

Apesar de sua importância para a compreensão de fenômenos relacionados à eletricidade atmosférica, como os raios, e de ter dado origem a tecnologias como a da fotocópia, a área da eletrostática permanecia praticamente estagnada até a última década.
A principal razão para isso era a falta de novas teorias e técnicas experimentais que permitissem identificar e classificar adequadamente quais entidades, íons ou elétrons conferem carga aos materiais.
"Os novos modelos de distribuição de carga eletrostática têm aberto possibilidades para o desenvolvimento de materiais que não apresentam problemas atribuídos à eletrização, como incêndio espontâneo, por exemplo", disse Fernando Galembeck, coordenador do Inomat. "As descobertas na área ainda poderão contribuir, no futuro, para a geração de energia."
Fenômeno da triboeletrificação demonstrado pelos pesquisadores brasileiros usando esferas de vidro. [Imagem: Thiago Burgo et al./10.1038/srep02384]
Os pesquisadores do grupo de Galembeck descobriram que a água na atmosfera pode adquirir cargas elétricas e transferi-las para superfícies e outros materiais sólidos ou líquidos.
Por meio de um experimento em que utilizaram minúsculas partículas de sílica e de fosfato de alumínio, os pesquisadores demonstraram que, quando exposta à alta umidade, a sílica se torna mais negativamente carregados, enquanto o fosfato de alumínio ganha carga positiva.
A descoberta da eletricidade proveniente da umidade -
 denominada pelos pesquisadores brasileiros de
"higroeletricidade" - teve repercussão mundial.
Assunto correlato:
Cientista brasileiro descobre como coletar energia do ar

 Alimentar casas e fábricas com eletricidade coletada

 

diretamente do ar pode ser possível: cientistas brasileiros 


resolveram um enigma científico que duravam séculos


 sobre como a umidade na atmosfera torna-se 


eletricamente carregada, abrindo caminho para seu 


aproveitamento.

Imagine dispositivos capazes de capturar a eletricidade do ar e usá-la para abastecer residências ou recarregar veículos elétricos, por exemplo.

Fernando Galembeck, da Unicamp apresentou suas descobertas históricas hoje (25) durante a reunião da American Chemical Society(ACS), em Boston, nos Estados Unidos. [Imagem: Unicamp]
Da mesma forma que painéis solares transformam a luz do Sol em energia, esses painéis futurísticos poderão coletar a eletricidade do ar - a mesma eletricidade que forma os relâmpagos - e direcioná-la de forma controlada para alimentar qualquer equipamento elétrico, nas casas e nas indústrias.
Se isso parece revolucionário demais, mais entusiasmaste ainda é saber que a descoberta que poderá tornar esses sonhos uma realidade foi feita por um cientista brasileiro.
O professor Fernando Galembeck, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apresentou suas descobertas históricas hoje (25) durante a reunião da American Chemical Society  (ACS), em Boston, nos Estados Unidos.
"Nossa pesquisa pode abrir o caminho para transformar a eletricidade da atmosfera em uma fonte de energia alternativa para o futuro," disse Galembeck. "Assim como a energia solar está liberando algumas residências de pagar contas de energia elétrica, esta nova e promissora fonte de energia poderá ter um efeito semelhante."
Eletricidade atmosférica
A descoberta do professor Galembeck parece resolver um enigma científico que já dura séculos: como a eletricidade é produzida e descarregada na atmosfera.
No início da Revolução Industrial, os cientistas perceberam que o vapor que saía das caldeiras gerava faíscas de eletricidade estática - trabalhadores que se aproximavam dos vapores eram freqüentemente atingidos pelos choques elétricos.
Mas essa eletricidade se forma também em locais mais amenos, quando o vapor de água se junta a partículas microscópicas no ar, o mesmo processo que leva à formação das nuvens - é aí que começam a nascer os relâmpagos.
Nikola Tesla ficou famoso pelas suas tentativas de capturar e utilizar essa eletricidade do ar, tentativas infelizmente nem sempre bem-sucedidas.
Mas, até agora, os cientistas não tinham um conhecimento suficiente sobre os processos envolvidos na formação e na liberação de eletricidade a partir da água dispersa pela atmosfera.
"Se nós soubermos como a eletricidade se acumula e se espalha na atmosfera, nós também poderemos evitar as mortes e os danos provocados pelos raios," estima Galembeck.
Higroeletricidade


Os cientistas sempre consideraram que as gotas de água na atmosfera são eletricamente neutras, e permanecem assim mesmo depois de entrar em contato com as cargas elétricas nas partículas de poeira e em gotículas de outros líquidos.
Mas o professor Fernando Galembeck e sua equipe descobriram que a água na atmosfera adquire sim uma carga elétrica.
O grupo brasileiro confirmou essa idéia por meio de experimentos de laboratório que simulam o contato da água com as partículas de poeira no ar.
Eles usaram minúsculas partículas de sílica e fosfato de alumínio - ambas substâncias comumente dispersas no ar - para demonstrar que a sílica se torna mais negativamente carregada na presença de alta umidade, enquanto o fosfato de alumínio se torna mais positivamente carregado.
"Esta é uma evidência clara de que a água na atmosfera pode acumular cargas elétricas e transferi-las para outros materiais que entrem em contato com ela," explicou Galembeck. "Nós a chamamos de higroeletricidade, ou seja, a eletricidade da umidade."
Coletores de energia do ar

Painéis para capturar a energia higroelétrica poderão ser colocados no topo dos prédios para drenar a energia do ar e impedir o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios. [Imagem: Martin Fischer]
No futuro, segundo Galembeck, poderá ser possível desenvolver coletores - similares às células solares que coletam a luz solar para produzir eletricidade - para capturar a higroeletricidade e permitir seu uso em residências e empresas.
Assim como as células solares funcionam melhor nas regiões mais ensolaradas do mundo, os painéis higroelétricos vão funcionar de forma mais eficiente em áreas com alta umidade, uma característica das regiões tropicais, Brasil incluído.
Alta umidade significa altos níveis de vapor de água no ar - um vapor que se torna visível ao se condensar e embaçar os vidros do carro, por exemplo, e cuja baixa intensidade incomoda tanto nos dias secos de inverno.
Galembeck afirmou em sua apresentação que uma abordagem semelhante poderia ajudar a prevenir a formação de raios. Ele vislumbra a colocação de painéis higroelétricos no topo de prédios em regiões onde ocorrem muitas tempestades. Os painéis drenariam a energia do ar, impedindo o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios.
Seu grupo de pesquisa já está testando metais para identificar aqueles com maior potencial para utilização na captura da eletricidade atmosférica e prevenção dos raios.
"São idéias fascinantes que novos estudos, nossos e de outras equipes de cientistas, poderão tornar realidade," disse Galembeck. "Nós certamente temos um longo caminho a percorrer. Mas os benefícios no longo prazo do aproveitamento da higroeletricidade podem ser substanciais."
Fenômenos eletrostáticos
Durante o século 19, houve vários relatos experimentais associando a interface ar-água e os fenômenos eletrostáticos da chamada "eletricidade do vapor". O famoso Lord Kelvin idealizou um equipamento, que ele chamou de condensador de gotas de água, para reproduzir experimentalmente o fenômeno.
Contudo, até hoje ninguém havia conseguido descrever os mecanismos do acúmulo e da dissipação das cargas elétricas na interface ar-água.
Isso pode dar a dimensão dos resultados agora obtidos pelos cientistas brasileiros.
O trabalho do professor Fernando Galembeck e sua equipe demonstram que a adsorção do vapor de água sobre superfícies de materiais isolantes (dielétricos) ou de de metais isolados - devidamente protegidas dentro de um ambiente blindado e aterrado - leva à acumulação de cargas elétricas sobre o sólido, em um intensidade que depende da umidade relativa do ar, da natureza da superfície usada e do tempo de exposição.
A pesquisa verificou ainda um aumento acentuado nas cargas elétricas acumuladas quando são usados substratos líquidos ou isolantes sólidos, sob a ação de campos externos, quando a umidade relativa do ar se aproxima de 100%.”
Segundo Galembeck, a descoberta abriu caminho para o desenvolvimento da "água eletrizada" - água com excesso de cargas elétricas -, em condições bem definidas, que pode ser útil para o desenvolvimento de sistemas hidráulicos.
"Em vez da pressão, o sinal utilizado em um sistema hidráulico com base na água eletrizada poderia ser o potencial elétrico, mas com corrente muito baixa, da própria água", explicou.
Outra possibilidade mais para o futuro seria o desenvolvimento de dispositivos capazes de coletar eletricidade diretamente da atmosfera ou de raios.
"Fizemos algumas tentativas nesse sentido, mas não obtivemos resultados interessantes até agora", contou Galembeck. "Mas essa possibilidade de captar a eletricidade da atmosfera existe e já descrevemos um capacitor carregado espontaneamente quando exposto ao ar úmido."

A teoria da equipe brasileira está chamando a atenção de pesquisadores da área em todo o mundo, sobretudo pelas possibilidades de aplicações práticas. [Imagem: Thiago Burgo et al./10.1021/la301228j]


Triboeletrização
A mais recente contribuição do grupo para o avanço do conhecimento sobre a eletrostática foi desvendar alguns dos mecanismos envolvidos na triboeletrização ou geração de eletricidade por atrito.
Considerada o fenômeno eletrostático mais comum, a triboeletrização era mal compreendida e começou a ser mais bem estudada a partir do fim da década de 1990, contou Galembeck.
Por meio de experimentos com politetrafluoretileno - um tipo de polímero isolante -, os pesquisadores brasileiros demonstraram que o atrito entre as superfícies de materiais condutores (dielétricos) produz padrões fixos e estáveis de cargas elétricas com uma distribuição não uniforme nas duas faces do material.
A descoberta desmistificou a idéia de que materiais como vidro, fibra sintética, lã e alumínio têm tendência a adquirir somente carga positiva ou só negativa quando atritados.
O que gera a eletricidade estática? Vide link abaixo.
Voltando as pesquisas do Prof. Galembeck...
O grupo brasileiro demonstrou que, em alguns casos, o principal componente do atrito é justamente a triboeletrização. "A triboeletrização cria interações entre os materiais que aumentam ou até diminuem o atrito", disse Galembeck.
Segundo ele, a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de materiais mais resistentes aos desgastes ocasionados pelo atrito, tais como lonas de freio e pneus de automóveis, ou com menor consumo de energia.
"Estima-se que 30% de toda a energia produzida no mundo seja dissipada ou jogada fora por causa do atrito," afirmou Galembeck. "Se conseguíssemos controlar o atrito dos materiais, seria possível consumir menos energia do que usamos hoje."

Outra pesquisa envolvendo raios...

Outro tema novo é o aproveitamento das 

características das descargas elétricas, sendo

utilizadas para identificação de problemas na isolação

 ao longo da instalação de linhas e subestações.


Raios vão ajudar a evitar apagões

Para quem não é iniciado entender, a onda básica do raio já conhecida. Sabe-se que ao mudar do meio ar para o meio das instalações elétricas sua velocidade cai pela metade, algo em torno de 150 Km/s. As sobre tensões causadas sobre as linhas de transmissão de energia elétrica vão se descarregando ao longo do caminho, gerando fenômenos elétricos de descontinuidade que poderão ser medidos, basicamente é isto que se trata as pesquisas. Conhecendo a característica padrão, a anormalidade poderá ser detectada quando se mostra diferente.
O lado bom dos raios
Raios são bem conhecidos como inimigos das redes de energia.
Mesmo quando eles não causam o desligamento total da rede, causando os apagões, as correntes induzidas pelos raios - os chamados transientes naturais - desgastam rapidamente a saúde dos componentes ao longo da rede de distribuição.
Roya Nikjoo, do Instituto Real de Tecnologia da Suécia, decidiu ver o lado positivo da coisa e analisar se poderia tirar algum proveito dos raios em benefício das redes elétricas.
O que ela descobriu poderá não apenas ajudar a monitorar a saúde dos componentes elétricos, como também evitar os apagões.
Roya Nikjoo descobriu uma forma de tirar proveito dos raios e transformá-los em uma ferramenta de "medicina preventiva" para as redes elétricas. [Imagem: Hakan Lindgren/RIT]
Impressão digital da rede elétrica
A técnica pode ser considerada como uma espécie de "medicina preventiva" para a rede elétrica - os componentes podem ser substituídos ou consertados antes que falhem de forma catastrófica, geralmente induzindo defeitos nos componentes vizinhos.
Nikjoo desenvolveu um sistema que usa os transientes naturais para medir o desgaste dos componentes de potência.
As medições começam quando os sinais criados pelos raios derrubam um circuito elétrico, interrompendo a corrente ou desviando-a de um condutor para outro.
Esses sinais são usados como "estímulos" para obter uma resposta dos componentes de energia, explica Nikjoo.
A saída é uma representação gráfica do sistema, da mesma maneira que um ultra-som produz uma imagem de um feto.
"É como tirar a impressão digital do componente," disse Nikjoo. "Conforme essa digital muda, eu posso usá-la para identificar o bem-estar do componente, e saber se algo está errado."
"Nós podemos usar essas altas tensões para obter mais informações sobre o estado de componentes como transformadores e isoladores do que por meio das inspeções tradicionais," conclui a engenheira.
Fontes:

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=raios-ajudam-detectar-falhas-componentes-rede-eletrica&id=010115140416&ebol=sim#.U1fIj1VdXSk

 

 

 

J.A.