quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Toque de humor 30 - Se metendo de Pato a Ganso 2

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Na área de manutenção tem muita gente se metendo onde não tem qualificação para aquela tarefa.
Certa ocasião fui contatado por um fabricante de transformadores que também atuava na área de serviços elétricos. Eles tinham uma obra dentro de um projeto automotivo no RS cuja etapa estava no final de implantação e o inicio operacional já se aproximava.
Com um grande corpo técnico, segurança da matriz, os acessos já eram restritos.
Tinha ocorrido um acidente grave com um funcionário quando realizava manutenção em baterias.

Faço um parêntese;
“Quando se manuseia equipamentos elétricos, combustível, explosivos, contaminantes diversos, é necessário o conhecimento para realizar os serviços.”

Então, fui contratado como consultor para gerar um laudo do ocorrido. Considerando ainda, que um operário sofreu  acidente grave e fora parar no hospital . Necessitaria de uma cirurgia plástica complementar.
Me dirigi a tal panta, além da equipe de segurança da montadora o ministério do trabalho e a policia tinham ido registrarem ocorrência e investigarem o fato.
Tratava-se de um moderno sistema hibrido de motor elétrico – bomba d água e gerador, ou seja, um sistema moto bombas de incêndio com capacidade de pressurizar um linha que abastecia um sistema externo com capacidade de lançar jatos a mais de 50 metros.
O que ocorrera foi a instalação de baterias para o sistema de partida, eram elementos de 12 volts – 200  A, baterias com reposição de água e conexões externas. Estas baterias eram importadas faziam parte do sistema que muito provavelmente eram um padrão da tal montadora.
 Um sistema motobomba similar;


Quando os profissionais da instalação conectaram os cabos um processo de recarga passou a ocorrer. Para limpeza da sujeira foram retiradas as tampas dos vasos. Nesta situação gases acabam saindo pra fora da bateria. Em determinado instante foram verificar o aperto das conexões externas. Pelo formato da bateria ele deve ter raspado acidentalmente a chave entre um borne e as conexões entre vasos que, nestes elementos, eram externas.
Ora, isso gerou uma explosão tão violenta que a tampa da bateria saiu em pedaços para todo ambiente, atingindo o rosto do funcionário.
O meu laudo acabou sendo decisivo para que o evento fosse catalogado como acidente.
Hoje com as baterias blindadas e livres de  manutenção, estas conexões ficam encobertas pelo processo fabril.
 Exemplo de uma bateria nos dias hoje para esta aplicação;


Numa outra ocasião estava realizado um start–up de um no-break de 40 Kva. A empresa de instalação contratada pelo cliente final, era especializada em cabeamento estruturado e se aventurava em instalações elétricas básicas. Enquanto orientava de como deveriam serem instaladas e dispostas às baterias dentro de um armário especifico, o dono me confidenciou;
 - Certo dia, um cliente pediu-me para que trocasse as baterias do no-break deles.
Diz ele;
- Estava vendo outro problema, quando escutei uma explosão na sala de baterias e meu pessoal saindo no meio da fumaça. Eles tinham fechado um curto.

Por mais simples que seja uma bateria, principalmente as de grande capacidade, guardam escondido um risco elevado a integridade física dos profissionais e se for como os no-breaks´s, uma série de baterias com valor de tensão elevada, muito mais ainda.

Não se meta de Pato a Ganso, os riscos de acidentes são maiores que se imagina.

Este é mais um causo daqueles...




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Professor Ênnio Amaral, um precursor na eletrificação rural no Brasil. – Primeira Parte.

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Quando se pesquisa artigos sobre a eletrificação rural de baixo custo, se encontra artigos técnicos universitários, se encontra assuntos da Eletrobrás e do Ministério de Minas e Energia falando de políticas públicas, se encontra defesa de tese para doutorados etc. Pouco se fala de seu desbravador inicial, parece até ser da índole dos brasileiros em dar mais valor às coisas produzidas no exterior do que aqui, vide Padre Landell de Moura.
Mas um assunto sobre o tema causou profundo mal estar, indignação na comunidade da ETP/ETFP/CEFET-Pelotas/ IFSUL, quando um artigo publicado pelo jornal Zero Hora em 04/11/2011, sob o título Engenheiro gaúcho vence concurso internacional.
A matéria faz referência à premiação de 50 mil dólares, outorgada ao engenheiro Fábio Rosa, pela The Tech Museum Of Innovation, em San Jose/Califórnia, por ter este desenvolvido um projeto de eletrificação rural, usando, como condutor, arame de aço galvanizado em substituição aos fios de alumínio e de cobre – tradicionalmente utilizados nos sistemas de distribuição de energia elétrica.



Nenhuma palavra sobre quem, realmente, iniciara os estudos no Brasil. A indignação foi tão grande que um prócere Professor da comunidade da Escola Técnica Federal de Pelotas contemporâneo do Professor, Ênnio Amaral, escreveu um artigo no Jornal Diário Popular, um verdadeiro desagravo por não ter sido citado quem de direito.

O Prof. Gilfredo Renck, acalmou a comunidade com o artigo;

“Eletrificação rural: enfim... a injustiça”

Professor Gilfredo Renck (Fedoca para os amigos) finaliza com as seguintes palavras:

“- A omissão, pois, ao seu nome, é um fato deveras lamentável e, sobretudo, um desrespeito a quem poderia ter usufruído economicamente do seu reconhecido saber, mas tombou pobre, pois, para ele, a maior riqueza de um homem era a de poder servir aos seus semelhantes – e o fez com valentia e honradez. Ainda é tempo de restituir-lhe a justiça. Basta querer.“

Sem desconsiderar o trabalho meritório do Eng. Fábio Rosa e seu parceiro  Eng. Elétrico Ricardo Mello, que desenvolvem um belo trabalho em energias alternativas como a solar e eólica, entendo que ele deveria ter dito isso na época. Minimizou posteriormente em artigos se referindo ao Mestre Ênnio Amaral, mas a verdade  nua e crua, ele encontrou uma estrada pavimentada, um caminho já aberto e desbravado como poderia ter a glória suprema?


Este tópico que escrevo, visa resgatar a historia de um dos Mestres da ETP, querido por todos e chamado carinhosamente de Tio Ênnio. Mais que um Professor, um típico ETEPEANO, pois foi aluno e estudou naquela grande instituição que foi a ETP dos anos 50 /60. Uma escola dos sonhos para qualquer educador dos dias de hoje. Se alguém pudesse fazer um comparativo, seria uma Escola Militar sem seu extremo rigor e os CIEPS de Brizola e Darci Ribeiro. Uma Escola que tinha alojamento, refeições gratuitas e formava cidadãos dignos, profissionais preparados para enfrentar a vida e ajudar este País, cujo legado foi seguido pela ETFP/CEFET-RS e IFSUL.


Origens:

O pequeno Ênnio Amaral:

Professor Ênnio de Jesus Pinheiro do Amaral era natural de Piratini, nascido em 07 de abril de 1936.
 Piratini-RS


Quando me referia a ser um típico Etepeano, me referia à origem de quase todos que passaram por esta grande instituição, ou seja, de muita dificuldade recursos escassos e sempre vendo a luta dos pais para manter a família.
O jovem Ênnio, saindo do interior, foi estudar na cidade de Piratini-RS a contra gosto do pai que preferia os filhos trabalhando e ajudando em casa. Saiu cedo do convívio familiar e graças ajuda das tias. Tia Pura (ele homenageou dando este nome a filha mais velha) morou em Piratini de favor, até conseguir estudar no colégio Ponche Verde e o tio Noquinha conseguir um emprego a ele numa padaria.
 Colégio ponche Verde


“Se alguém pegar a história de qualquer ETEPEANO, seja ele um Presidente de alguma empresa ou instituição, Diretor, Empresário bem sucedido, Profissional bem sucedido e outros, veremos que elas se parecem muito.”

Para seguir os estudos só tinha um local na região sul do Rio Grande do Sul, a cidade de Pelotas. Lá existiam três instituições que davam abrigo para quem viesse das camadas menos favorecidas da sociedade. O Abrigo de Menores, mantido pela Igreja Católica e da comunidade local, A Escola Agrícola Visconde da Graça e da Grande ETP no centro da cidade de Pelotas.

O jovem Ênnio veio a Pelotas e escolheu a ETP, passando nos exames de admissão em 1953, existindo registros de uma tentativa de ingresso em 1951. A ETP era como uma Universidade nos dias de hoje e seu ingresso era muito concorrido e difícil. Como interno, aos 17 anos, entrou no Ginásio Industrial e mesmo assim faltavam recursos para material básico escolar.


Coube a um grande amigo, Daltro D'avila, melhor amigo desde infância, ajudá-lo fornecendo, os lápis  folhas e acessórios. Tio Daltro (este agradecimento ele fez dando o nome ao filho mais velho), após formatura. * Relato de Virginia Amaral.

Abro um parêntese;

(Ah! Meu querido e inesquecível Mestre sei bem o que isso e o que ocorria naquele final dos anos 50 até metade dos 60. Um período de turbulência política, desemprego e greves.
Meu velho tinha ficado desempregado e só conseguia trabalho em engenhos e nas fazendas para cortar arroz. Tempos muitos difíceis para todos. Recordo-me do jovem J.A indo para o Felix da Cunha cursar o primário. Em pleno inverno, quebrando geada, calçando chinelo de dedos e meias de manhã cedo. Lembro-me do pequeno J.A indo às padarias mais baratas da região a procura de pão torrado mais em conta. Lembro-me do pequeno J.A ir aos açougues da região comprar osso para fazer sopa, pois o dinheiro não dava para outra coisa. Lembro-me do pequeno J.A ir buscar uma ajuda que a minha querida e saudosa Tia Maria mandava via ônibus de Santa Isabel, um tarro de 5 litros de leite duas a três vezes por semana e de vez em quanto, quando matava um porco vinha uma banha dentro de uma lata cheia de pedaços de carne. Por fim me lembro do jovem J.A ingressando na ETP, fazendo os lanches gratuitos na escola, período em que não mais existia o internato. De usar camisa branca por quase 90 dias, pois não existia dinheiro para comprar o bonlon azul marinho do uniforme. De usar sapato de plástico que dava um chulé danado, pois não existiam recursos para comprar um sapato normal.
Igual a minha e a sua história, esta cheio de ETEPEANOS e como disse, é a cara da estirpe destes lutadores que venceram as dificuldades da vida, a qual tenho orgulho pertencer).

Assim, na turma “D”, Ênnio começou como aluno do Curso de Aparelhos Elétricos e Telecomunicações, em regime de internato, passando para a 2.ª série do Curso Industrial, que fazia parte do 1.º Ciclo.


O jovem Ênnio Amaral detestava a semana da Pátria, pois tinha de marchar, e desfilar garbosamente como era praxe na ETP. Era muito magro e arrumava artifícios para minimizar a exposição, deixava todos os colegas irem à frente, onde as roupas mais ajustadas ficavam bem e ele meio que se escondia no final do pelotão, sobrava uniforme ao magérrimo jovem aluno, mas não faltava postura e orgulho.  Já naquele tempo uma gastrite incomodava o jovem ETEPEANO até se transformar num ulcera, como veremos a seguir.


. No ano de 1954, então cursando a 2.ª série, de acordo com ofício do médico José Dagoberto de Moura, dirigido ao Diretor da Escola, Dr. Paulo Giorgis Brochado, o aluno Ênnio de Jesus Pinheiro do Amaral foi acometido de uma colecistite aguda. Assim, por sugestão do Serviço de Orientação Escolar, o jovem foi hospitalizado, com cura temporária, sendo diagnosticado, também, como portador de uma duodenite, o que requereu tratamento dietético e repouso.
O médico diz que seria desaconselhável sua permanência como aluno interno,sendo oportuno seu afastamento. Mas, caso ficasse como aluno externo, deveria fazer as refeições fora da escola, devido aos cuidados alimentares necessários.
No despacho do Diretor, encontramos: já foi combinado com o responsável sobre as refeições fora da Escola, em 25/10/54.
Portanto, o Prof. Ênnio foi acometido de doença que o tornava frágil fisicamente, mas não o impediu de continuar seus estudos e, ainda no ano de 1955, de servir ao Exército Brasileiro. Em 1956, voltou à Escola, após cumprir serviço militar, e cursou a 3.ª série, à qual, além das disciplinas da 2.ª série,foi acrescida a disciplina de Eletroquímica. No ano de 1957, cursou a 4.ª série,aprofundando os conhecimentos das disciplinas da 3.ª série, formando-se nofinal daquele ano.

Foto dos alunos da ETP na Fazenda de Tio Ênnio Amaral;


Fontes: 
Família Amaral em especial Virginia Amaral.





 Fotos: Arquivo dos Ex alunos ETP/ETFP

J.A.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Toque de humor 29 - Se metendo de pato a ganço num PC



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A cerca de 20 à 30 anos atrás, os PC´s não tinham a importância dos tempos atuais, seja por problemas de comunicação, de custo , de conhecimento ou manuseio . A verdade era que só nas empresas, centros acadêmicos e nos processos de automação e controle de equipamentos  industriais .
Certa ocasião eu assumi a obra de implantação de uma grande trefila de arame de 10 passos controlada por PLC Altus na Sandvik – Mogi-Guaçu – SP. 

O processo das instalações mecânicas, elétricas e eletrônicas não foram problemas algum, o problema surgiu na hora de colocar tudo em operação e precisamente da automação.
Fui obrigado a buscar um jovem engenheiro que tinha sido recentemente contratado para ajudar nesta tarefa.
Portanto, meu aprendizado com PC´s foi a fórceps, no entanto, me deixou maravilhado com este brinquedo que até comprei um flamante 386 para me divertir em casa em casa.
Tempos depois já como regional da ABB Service no Sul, resolvi abrir o equipamento para fazer uma limpeza. Desconectei todo o cabeamento, placas e a fonte para limpeza ,  tudo ficou uma beleza de limpo. Conectei tudo e liguei, pra que? Saiu fumaça pra todo lado e meu belo 386 foi pro espaço.
Na assistência técnica disseram que coloquei um cabo invertido da fonte e queimei a placa mãe, a fonte e placa de vídeo. No sufoco e sem peças disponíveis dei a volta por cima, transformei tudo num moderno 486 DX 100 que beleza.
Aprendi mais uma coisa, por melhor que sejas, não se meta de Pato a Ganso!
Tempos ídos!
Essa é mais uma história daquelas!

J.A.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Propósito do toque de humor 28 - 2.


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Um amigo perguntou-me;
- Como assim comutação natural por tiristores? Isso não é típico dos retificadores controlados trifásicos?
Digo a este amigo que ele tem certa razão, mas os inversores também podem trabalhar desta forma. Se olhar-mos desenhos similares e pensar-mos inversamente, a rotação de sincronismo de disparo segue uma seqüência muito parecida.
Vejamos comparado com os desenhos abaixo;
Considerando inicialmente T1 + sendo acionado, 30 graus elétricos depois, teríamos o disparo de T2 circulando uma corrente pelo enrolamento do trafo de saída primário RT; Mais 30 graus elétricos depois o disparo de T3. Com isso ele apaga T1 e a corrente flui T3/T2. Trinta graus depois o disparo de T4 apagando T2, fluindo a corrente T3/T4; Mais 30 graus o disparo de T5 apagando T3, fluindo uma corrente T5/T4 e finalizando a seqüência, 30 graus depois o disparo de T6 apagando T4 e fluindo uma corrente por T5/T6 e volta o T1...

A forma da onda de corrente é parecida com esta aqui, a diferença e que esta é para um retificador numa condução de 75 graus elétricos. No inversor teríamos uns 118 graus elétricos. O crossover entre a onda positiva e a negativa de +/- 2 graus é para garantir que não ocorra um curto acidental na comutação. O filtro de saída formado pelo primário do trafo e os capacitores que eliminam estas distorções. As pontes auxiliares controlam para que a tensão se mantenha sempre estável na saída.
 Forma exemplificativa de como estavam dispostos as pontes ( Pincipal e as auxiliares.


As máquinas da Procergs eram mais antigas ou foram fornecidas com esta configuração por problemas de custo ou conceito da especificação. Elas não tinham by-pass, era um sistema de redundância por no-break. Utilizavam 3 unidades de 240 Kva em paralelo com saída por contactores, sincronismo central e armários de equalização do paralelismo.
Outro fato importante era o sistema de bloqueio quando o equipamento era desligado, tanto de forma normal ou por defeito. Nestes um DC do barramento geral vinha até um tiristor e deste distribuído por 3 diodos eram conectados no meio da ponte principal similarmente como mencionei na chave estática de neutro. O problema era quando o equipamento estava em paralelo no sistema e com carga. O  distúrbio de corrente era sempre grande, podendo derrubar as outras duas, o tempo de abertura das contatoras na saída era muito mais lento e isso era o causador do distúrbio.Era por isso que as máquinas do BB tinham uma chave estática de neutro,abrindo tão rápidamento quanto o bloqueio forçado da ponte principal.
O local embora limpo, recebia ar da rua onde a fuligem e o pó trazidos pelos sistemas de exaustão,causaram muitos problemas como poderemos ver a seguir.
Certa ocasião vim ver um problema na Unidade 2. De cara constatei que vários tiristores apresentavam isolação baixa e troquei todos defeituosos. Liguei o equipamento e fui tomar um café na manutenção deixando o equipamento operando fora do barramento geral dos UPS.
Quando voltei o equipamento estava desligado sinalizando sobre corrente. Pude notar um calor infernal saindo das pontes auxiliares e as isolações das pontes estavam muito baixas. Desmontei uma parte para ver e verificar o que estava ocorrendo. Observei que os dissipadores estavam todos pinicados como se estivessem faiscando dentro dos invólucros isolados. Medi alguns tiristores estavam bons, então porque estavam com isolação baixa? Passei o Megômetro na sujeira e ele fechou quase um curto. Resultado tive que desmontar tudo, inclusive cada tiristor de seu dissipador e lavar tudo com água e detergente. Deixei secar e montei tudo de novo deu um trabalho da por...

Outro fato que se sabia era que a máquina 1 e 2 eram de mania. Quando se desligavam sempre reinavam para ligar e era preciso duas pessoas. Uma para apertar o botão de starter e outra segurando o manete da chave geral. Ela costumava incendiar o resistor de partida de forma que a Procergs tinha um bom estoque rs...
Quando a NIFE estava trocando as baterias alcalinas para chumbo ácidas, foi acertado uma revisão geral aproveitando o feriadão e o final de semana daquela época.
Fiz a manutenção da máquina 1 num dia e no outro passei para a 2. Quando terminei o trabalho fui ligar. Em testes esta tudo aberto, tampas e portas de forma que se possa inspecionar tudo. Quando liguei, o equipamento não partiu e o resistor de partida lá na entrada incendiou abrindo um clarão vermelho fenomenal. Estava passando naquele momento um montador da Nife. O cara deu um pulo e saiu numa desabalada carreira gritando. Ainda tive que correr até a entrada para desligar a chave geral.
Pensei agora vou achar este fantasma que amedronta todo mundo. Nos testes com a potencia fora, eu via pulsos na ponte principal sem comando de ligar. Por obviedade só poderia ser no cartão de proteção e bloqueio da eletrônica. Pegamos um sobressalente no almox. da Procergs e nada, o problema continuava. Debrucei-me então sobre a lógica de reles e contactores auxiliares (tudo fabricação Asea). Até que cheguei num deles que na posição desligado, o sinal de zero da fonte eletrônica era conectado ao comando por um contato NF. Quando o equipamento era ligado este contactor ficava atracado fechando o comando de lógica e liberando a eletrônica. O contato em referência estava com vários Kohms de resistência sendo o causador do velho medo. Desmontei-o limpei bem e aproveite que tinha outro contato nf sobrando e coloque em paralelo. Depois fui à Unidade 1 e constatei o mesmo problema e fiz o mesmo reparo, nunca mais eles reinaram para ligar.

Este é mais um causo daqueles

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Padre Landell de Moura, um concorrente para Tesla e Marconi – Segunda Parte.

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Segunda Parte;

Capela Santa Cruz de Santana-S.Paulo




Telefone sem fio;


Os seus trabalhos foram noticiados em 12 de outubro de 1902, no jornal americano "The New York Herald", em reportagem sobre as experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal:
"Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles têm dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone".

Transmissor de ondas;



O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada:
"Padre Landell de Moura - inventor do telefone sem fio" (denominação de época para a radiotelefonia ou a transmissão da voz humana à distância sem fio condutor).

Telegrafo sem fio;



Nas cartas-patentes, fica claro que o padre Roberto Landell de Moura recomendou o emprego das ondas curtas para facilitar as transmissões quando essas ondas não eram sequer cogitadas por outros cientistas.
Além disso, Landell deixou manuscritos que provam que, em 1904, quando ainda estava nos EUA, projetou a transmissão de imagens (Televisão) e textos (Teletipo) à distância sem fios. Ele batizou a primitiva TV de "The Telephotorama" ou "A visão à distância". Também há documentação de que foi um dos pioneiros no desenvolvimento do controle remoto pelo rádio. Esses projetos não foram adiante porque, como ele próprio disse em uma entrevista à imprensa brasileira, foi "forçado" a abandonar a carreira científica.
Link do Youtube;


Roberto Landell de Moura faleceu de tuberculose, aos 67 anos, no anonimato científico, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Nos últimos momentos de sua vida, quando alguém indagou sobre os progressos da radiodifusão, ele simplesmente respondeu: "São águas passadas."
Tumba de Landell de Moura na Igreja do Rosário, em Porto Alegre, da qual foi pároco de 1915 até sua morte em 1928.



Demonstração dos inventos em 1984

Em 7 de setembro de 1984, em Porto Alegre, foi feita uma demonstração pública utilizando-se um rádio montado por uma equipe da Cientec com base na patente norte-americana do padre-cientista (The Wave Transmitter). Na oportunidade, algumas palavras foram pronunciadas pelo então Governador do Estado, Jair Soares, provando que a invenção do Padre Landell realmente funcionou.

Reconhecimento

O Exército Brasileiro, numa homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de "Centro de Telemática Landell de Moura" ao 1° Centro de Telemática de Área, uma organização militar de telecomunicações, situada na cidade de Porto Alegre.
A Fundação Educacional Padre Landell de Moura foi assim batizada em homenagem ao padre-cientista, bem como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), criado pela Telebrás em 1976, também batizado de "Roberto Landell de Moura".
A inscrição do nome do Padre Roberto Landell de Moura no Livro dos Heróis da Pátria ocorreu em 27 de Abril de 2012.10

Movimento Landell de Moura (MLM)

O movimento Landell de Moura é abaixo assinado para que o Brasil dê o devido reconhecimento ao cientista brasileiro.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Propósito do toque de humor 28.


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Estas máquinas ASEA foram uma das mais longevas no mercado brasileiro. Para se ter uma idéia as 3 da Procergs- Porto Alegre – RS, duraram mai de 30 anos em operação ininterrupta. A seguir as do Banco Mercantil Finasa até a incorporação pelo Bradesco, eram duas de 240 Kva. Tinham outras duas no Bamerindus devem terem durado quase 25 anos. Tinha uma no grupo Pão de Açúcar deve ter durado quase isso. A da Proceda e da Bolça de Valores quase 15 anos, As do Banco do Brasil S.Paulo e Rio 4 unidades em cada CPD , uns 17 anos aproximadamente.

Eram das primeiras gerações de No-breaks estáticos utilizando a técnica de comutação natural. Os Engenheiros Suecos entenderam que a resposta de tensão e estabilidade não estava dentro do esperado e para isso projetaram duas pontes auxiliares trabalhando em conjunto com a principal junto ao primário do trafo de saída e capacitores de filtro. As pontes auxiliares operavam com se fossem um filtro ativo, uma trabalhando a 90 graus elétricos e a outra a 30 graus elétricos. Poder-se ia dizer que uma funciona com conversor retirando reativos e a outro como inversor, fornecendo reativos.
Seus comandos e proteção seguiam o padrão ASEA Comblifex de reles e utilizava muitos contactores auxiliares também.
Com o passar do tempo e os desgastes naturais passaram a ocorrer falhas que nunca antes tinham sido vistos.

Eu me lembro de algumas que levaram ao amigo que vos fala conhecer cada problema delas, com a ida do amigo Roberto para o EUA fique com este legado.

Eu me lembro de 3 situações que ocorrem no Sesec do Banco do Brasil S. Paulo.
A primeira uma das máquinas quando partia se desligava por sobre corrente. Não encontramos uma falha ou defeito nos tiristores da potencia medindo com os multímetros tradicionais. O ajuste das pontes auxiliares era outro complicador.
“Para os não iniciados ou quando a falha persistia, para se ter certeza do ajuste, a solução era abrir o cabo DC da ponte principal, desbloquear as proteções e ligar o equipamento. Era preciso medir os pulsos de disparo de um tiristor e o tempo entre dois seguidos. Marcar na tela do osciloscópio e considera 60 graus elétricos. Quando fosse medir os correspondentes nas pontes auxiliares era fácil comparar os 30 graus elétrico, ou seja, a metade e no os noventa graus elétrico elétricos, verificando se cabiam nos espaço os pulsos da ponte de 30 graus.”
Por fim resolvi utilizar um megômetro para verificar a isolação de todos os tiristores, incluindo a ponte principal. Para surpresa um tiristor de uma das pontes auxiliares apresentava uma altíssima isolação reversa e praticamente um curto para o sentido direto. Essa e outras ligadas à isolação me fizeram carregar um megômetro dentro do meu instrumental básico. Mas não abri o bico ficou pra mim esta “carta na manga”.

Em outra ocasião, do nada, dois retificadores das 4 maquinas passaram a descarregar baterias em determinado horário. Não adiantou em mexer em ajustes e ganhos da eletrônica. Voltei no outro dia e com um osciloscópio pude ver que o sinal de controle esta no nível máximo no estagio final de geração de disparo, mas porque não subia a tensão. Em comparação, medindo nos outros dois retificadores o sinal de controle não era máximo, mas a tensão de saída era normal e até em recarga ela não atingia o valor máximo. Parei para pensar. O sinal AC de sincronismo via de um trafo especifico para esta função e os 4 eram iguais. Então porque estava diferente. Fui medir a tensão da rede estava baixa, em torno de 204 Vac. Como uma lâmpada acesa na cabeça, fui olhar os trafos principais de entrada.
 Estava morta a charada.
 Dois no-breaks tinham trafos delta /estrela e os outros trafos deltas / delta. Um erro que vinha desde ativação. Com a rede normal não apareceu, mas com a diminuição da tensão da rede ele se manifestou. O que ocorria era um atraso de 30 graus elétricos.
A função do conjunto defasado,era melhorar a distorção harmônica e o fator de potencia criando um defasamento entre eles. Peguei os dados de fábrica do componente, o pessoal da engenharia entrou em contato com a Asea na Suécia e de lá mandaram o projeto dos trafos de sincronismo para aquela situação.

Numa terceira ocasião, foi uma das mais sérias situações que passei, pois derrubei todo o CPD do Banco do Brasil S. Paulo.
Vejam como são as coisas, estava de férias e um grupo de colegas fez a manutenção geral no BB São Paulo. Quando retornei, fui para o interior, estava supervisionando a instalação de uma trefila de arame com 10 passes, controlada por acionamento CC e PLC da Altus. Num determinado dia me liga o plantão diz para retornar para S. Paulo que um no-break tinha apresentado defeito e derrubado tudo. Perguntei, não tem 4 máquinas? Com 3 era suficiente para o CPD. A resposta veio, eles estão operando com 2 máquinas. Tem uma desligada e não sabem os porquês, a instrução era que não ligassem. Então retornei a Sampa.
Chegando ao SESEC, faço o reparo da máquina defeituosa e conecto ao sistema, liberando parcialmente tudo.
Então vou examinar a tal máquina que não podia ligar. Faço todas as verificações para um equipamento com grave defeito e não encontro anormalidades. Então resolvo ligar o equipamento individualmente, fora do barramento de paralelismo.

Quando pressiono o botão de starter escuto um barulho geral e todos os no-breaks desligam, no silencio sepulcral que se estabeleceu ainda escuto a mola de carregamento do disjunto de by-pass carregando. Literalmente entrei em transe, caminha pra lá e prá cá falando baixo. Na verdade estava com todo o sistema na cabeça e analisava porque tinha ocorrido aquilo se o No-break em questão estava totalmente fora do sistema. Não sei quanto tempo fiquei assim , quando levanto os olhos e olho em direção a porta de acesso tinha umas 10 pessoa paradas , ninguém entrou. O chefe do SESEC, o Chefe do CPD, o Chefe da Manutenção eram muitas pessoas, afinal eu acabara de derruba todo CPD do Banco do Brasil São Paulo. Não sei de onde tirei tanta calma. Chego perto da porta e digo:
-Vocês têm diesel suficiente para ficarem operando por o tempo necessário para que eu ache o que ocorreu? Responderam que não, mas iam mandar vir um caminhão. O SESEC tinha um motor de Fragata de 16 cilindros em linha com uma capacidade 4 MVA.
Dito isso fui medir os pulsos da eletrônica dos no-breaks, tinham sumido todos. Essas máquinas tinham uma unidade central junto à parede. A placa distribuidora dos pulsos básicos estava toda mexida com sinais de ter sido trocado os buffer de saída para os no-breaks. Com o gerador ligado e CPD operando volta para a ABB (já tinha ocorrido a fusão ASEA e Brow Boveri). Converso com o técnico do laboratório sobre aquilo. Ele respondeu que foram os “amigos que fizeram a manutenção geral”, putz pra que inimigos então?!
 Enquanto ele reparava a placa discutíamos sobre o fato. Ele disse J.A isso me parece algum problema de isolação pelos danos nos componentes ( praticamente explodia os buffers, era pedaço pra todo lado). Pensava eu, toda eletrônica é isolada pelo trafo isolador no retificador e depois pelo trafo de saída do inversor, será que tem um fio de sinal encostando em alguma coisa.
No outro dia, solto toda fiação eletrônica e passo Megômetro em cada fio, entre eles e contra a massa, até que cheguei num, justamente daquele no-break arapuca, a isolação era zero. Gritei bem alto; - Filhos da p...
O pessoal do Banco me ajuda a levantar todo o piso falso. Mas quando manuseávamos este cabo, o megômetro oscilava. Disse o problema esta perto, vamos rasgar o cabo e achar onde esta o problema. A cerca de 1,50 metros encontramos um dos pares cortado e as pontas saiam para foram encostando na malha shildada, ainda bem que tinha muito cabo solto e permitiu aproveitar o mesmo cabo ( um outro problema possivelmente ocorrido no passado pois não tinha sinais externos de esmagamento).
Parti para ver outro problema, porque a unidade que dera defeito derrubou as outras. se tinha uma chave estática de neutro. Pasmem dos 4 no-breaks, 3 tinham defeitos nas chaves estáticas. Realmente era difícil para alguém não iniciado descobrir isso. Elas abriam o neutro, tinham 3 tiristores e 3 diodos e uma reatância fechando o lupe quando fechada. Mas para abrir precisava de um DC sendo descarregado no meio dela para polarizar reversamente os tiristores abrindo o sistema. Ocorre que este DC era descarregado por tres tiristores auxiliares, o defeito esta aí ai neste sistema e ninguém tinha visto ( existia uma pequena fonte separada que carregava um banco de capacitores até aproximadamente 300 Vdc). Depois de reparado tudo o pessoal do BB pediu para a ABB me mandar para o Rio, pois tinha históricos similares antigos de um no-break desligar derrubando tudo.


Mais um causo daqueles...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Padre Landell de Moura, um concorrente para Tesla e Marconi – Primeira Parte.

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O trabalho de Landell de Moura envolvendo experimentos com ondas eletro magnéticas foi pioneiro, tendo possivelmente sido o primeiro a transmitir a voz humana por rádio com sucesso, dividindo as pesquisas com Tesla e Marconi.
Landell de Moura conseguiu patentear seus inventos tanto no Brasil como nos Estados Unidos. No Brasil, obteve a patente n° 3.279, em 9 de março de 1901. Nos Estados Unidos, recebeu, em 11 de outubro de 1904, a patente de número 771.917, para seu "Transmissor de Ondas" e, em 22 de novembro do mesmo ano, as patentes de número 775.337, para seu "Telefone sem Fio", e 775.846, para seu "Telégrafo sem Fio.
Por ocasião dos 150 anos de seu nascimento, celebrado em 21 de janeiro de 2011, o Padre Landell de Moura teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, através da Lei Nº 12.614, sancionada pela Presidência da República do Brasil em 27 de abril de 2012.

Origens;
Roberto Landell de Moura nasceu no dia 21 de janeiro de 1861, na cidade de
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na então Rua de Bragança, hoje Marechal Floriano,
Numa casa que fazia esquina com a antiga Praça do Mercado, tendo sido batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de 1863, na Igreja do Rosário, de cuja freguesia, anos mais tarde, e até falecer, viria a ser vigário. Ele foi o quarto de doze irmãos, filhos de Inácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes de tradicionais famílias do estado do Rio Grande do Sul.


Fotos da Pça. do Mercado Porto Alegre -RS

Landell de Moura estudou no Colégio dos Jesuítas, em São Leopoldo, cidade
próxima a Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Fez o curso de humanidades, conhecido na época como Clássico, equivalente ao Ensino Médio, hoje em dia.
Em 1879, Landell de Moura transferiu-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Escola Central, antiga Academia Real Militar, fundada em 1792, por ordem de Dona Maria I, Rainha de Portugal, com o nome de Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, e hoje com o nome de Instituto Militar de Engenharia (IME).



Foto do Rio de Janeiro no período do Império

Aparentemente, ele se empregou em um armazém de secos e molhados para custear sua estadia na capital do Império.
No Rio de Janeiro Landell de Moura passou apenas alguns meses. Seu irmão,
Guilherme, que pretendia seguir carreira eclesiástica, passou pelo Rio de Janeiro, a caminho de Roma, Itália, e o convenceu a abraçar o sacerdócio.
 No Brasil do século 19 e até o início do século 20 era importante que cada família tradicional tivesse um padre, assim como um oficial militar.
Landell de Moura freqüentou o Colégio Pio Americano e também a Universidade Gregoriana, em Roma, como aluno de Física e Química, matérias para as quais mostrava inclinação desde criança. Ele foi ordenado sacerdote em 28 de novembro de 1886.
Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.
Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II sobre as pesquisas de transmissão do som, assunto que fascinava D. Pedro II desde 1856 e que o levou a financiar parte dos trabalhos de Alexander Graham Bell nos Estados Unidos. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo, Mogi das Cruzes (1906-1907).
Após curta temporada no Rio de Janeiro, o padre Landell de Moura foi designado capelão e professor de História Universal do Seminário Episcopal de Porto Alegre.

Foto antiga de Uruguaiana-RS 
Em 1891, foi nomeado vigário paroquial de Uruguaiana e, em 1982, foi transferido para o estado de São Paulo, onde, por sete anos, trabalhou como vigário em Santos, Campinas e Sant'Ana.


Foto de Santos em 1892
Em 1893, o padre Landell de Moura trabalhava na cidade de Campinas, interior do estado de São Paulo. Fazia alguns anos que ele havia chegado da Itália e a calma da cidade permitiu-lhe desenvolver suas idéias sobre a transmissão sem fio, cujos princípios foram enunciados por ele mesmo:

“Todo movimento vibratório que até hoje, como no futuro, pode ser
transmitido através de um condutor, poderá ser transmitido através de um feixe
“luminoso; e, por esse mesmo fato, poderá ser transmitido sem o concurso desse agente”.

“Todo movimento vibratório tende a transmitir-se na razão direta de sua
intensidade, constância e uniformidade de seus movimentos ondulatórios, e na razão inversa dos obstáculos que se opuserem à sua marcha e produção”.
“Dai-me um movimento vibratório tão extenso quanto a distância que nos
separa desses outros mundos que rolam sobre nossa cabeça, ou sob nossos pés, e eu farei chegar minha voz até lá”.




Esse último princípio provocou a ira de muitos paroquianos e de algumas autoridades eclesiásticas - em 1893 um padre brasileiro assegurava a transmissão entre diferentes sistemas planetários e, contra o que pregavam os ensinamentos seculares da Igreja, insinuava a existência de vida em outros mundos. Seu laboratório, montado a custo de muito trabalho e suor, foi mais de uma vez destruído.
Mas o padre Landell de Moura, pacientemente, reconstruía seus equipamentos e continuava seu trabalho científico. Ele chegou, inclusive, a idealizar o teletipo, o controle remoto e uma forma de transmissão de televisão.

Primeiros experimentos sem fio:

O padre Landell de Moura vivia, então, carregando seus misteriosos embrulhos, que continham as peças de um aparelho por ele inventado e com o qual - segundo afirmava - poderia falar com outra pessoa colocada a quilômetros de distância, sem ser necessário fio algum. Alguns interessados pediram-lhe provas. O padre, com o seu aparelho ainda rudimentar, realizou várias experiências de transmissão e recepção sem fio da voz e todas elas tiveram completo êxito. 

Essas experiências, algumas das quais levadas a efeito com a finalidade de interessar as autoridades e conseguir financiadores para o aperfeiçoamento e exploração industrial de seu invento, tiveram lugar, do alto da Avenida Paulista ao alto de Sant'Anna, numa distância aproximada de oito quilômetros, em linha reta - mais de um ano antes, portanto, da primeira e elementar experiência realizada, por intermédio das ondas hertzianas, por Guglielmo Marconi, em Pontéquio, perto de Bolonha, Itália, na primavera de 1895, e cerca de seis anos antes de seu primeiro radiograma.


Av. Paulista em 1902 - S. Paulo Capital.
O padre Landell de Moura, apesar das perseguições que sofria, declarou, na época:

“Quero mostrar ao mundo que a Igreja Católica não é inimiga da Ciência e do progresso humano. Indivíduos, na Igreja, podem, neste ou naquele caso, haver-se oposto a esta verdade; mas fizeram-no por cegueira. A verdadeira fé católica não a nega. Embora me tenham acusado de participante com o diabo e interrompido meus estudos pela destruição de meus aparelhos, hei de sempre afirmar: isto é assim e não pode ser de outro modo... Só agora compreendo Galileu exclamando:
- E pur se muove!”