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A longa caminhada do país até atingir o domínio completo do ciclo.
Numa reportagem completa da Revista Galileu se tem acesso a todas informações do processo.
Por dentro do Brasil nuclear
Novas usinas, biombos, segurança máxima, o submarino, a espionagem industrial, uma briga internacional: Galileu visitou as instalações de enriquecimento de urânio em Resende, RJ, para traçar o tortuoso caminho que pode levar o País a ser uma potência atômica
Pablo Nogueira
Uniformes: o uso de cor branca é obrigatório entre funcionários e visitantes para facilitar a detecção de resíduos. A exposição prolongada ao urânio enriquecido pode causar queimaduras e até câncer
Numa era abarrotada de imagens digitais, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) lutam pelo direito à invisibilidade. Na entrada das instalações que a estatal possui perto de Resende, cidade a 146 quilômetros do Rio de Janeiro, uma placa afixada no portão principal avisa que lá dentro é proibido o uso de filmadoras, máquinas fotográficas, CDs, gravadores, pendrives, celulares com câmera e laptops. Quem chega à portaria carregando alguns desses itens é convidado a declará-los e entregá-los à segurança. Sacolas, bolsas e até motores de veículos são revistados. Só por garantia.
A explicação para tanta aversão à informação visual fica a 3 quilômetros dali, no edifício de fabricação de combustível. No final de um dos corredores internos, há uma portaria envidraçada, onde se encontra outra placa. Mede 1 por 6 metros, tem fundo amarelo e um texto curto que pode ajudar a definir o futuro energético do País: "Enriquecimento tópico de urânio".
O objetivo do aparato de segurança é garantir que o mundo, ou pelo menos a maior parte dele, continue ignorando o aspecto das ultracentrífugas que operam no local. O equipamento é peça fundamental para a produção de urânio enriquecido, o elemento crítico para o desenvolvimento da energia nuclear e que o Brasil será capaz de produzir em larga escala a partir deste ano.
Funcionário abre filtro durante a etapa de reconversão do
urânio, que atualmente é enriquecido no exterior
Depois que o aquecimento global transformou em vilãs as usinas movidas a carvão - responsáveis por gerar a maior parte da eletricidade usada no mundo -, o debate sobre o aumento no uso do poder atômico tem sido travado em diversos pontos do globo. A Índia está construindo quatro novas usinas; a China, cinco. Os EUA voltaram a debater o assunto após mais de 30 anos sem planejar nenhum novo reator.
"Hoje a energia nuclear é vista como uma alternativa para limitar as emissões de CO². Nosso interesse está dentro dessa tendência mundial", diz Drausio Atalla, supervisor da presidência da Eletronuclear, empresa estatal responsável pelas futuras obras de Angra 3 e das quatro novas usinas que o Brasil pretende montar até 2030, ao custo de mais de R$ 20 bilhões.
NOVAS USINAS
Manutenção das varetas onde ficam armazenadas as pastilhas de urânio enriquecido, que depois irão para as usinas de Angra1 e Angra2
Em janeiro, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão encarregado de fiscalizar o setor, autorizou a INB a iniciar a produção de urânio enriquecido em patamar industrial. Até o final de 2009, 12 toneladas do elemento deverão ser produzidas.
"Em 2014, a capacidade instalada das centrífugas deve ser cinco vezes maior. Isso vai permitir que atendamos a 100% das necessidades de urânio de Angra 1 e 20% de Angra 2", diz Ricardo Aires, gerente de produção da usina de enriquecimento.
A meta, porém, é suprir 100% das necessidades da indústria nuclear do País. Isso vai representar uma economia anual de US$ 25 milhões nos serviços de enriquecimento, hoje feitos no exterior. Mas o maior ganho será a independência representada pela capacidade de garantir o próprio abastecimento. "No futuro, nós não vamos depender de serviços externos para uma tecnologia importante", afirma Samuel Fayad Filho, diretor de produção de combustível nuclear da INB.
A ampliação das atividades em Resende é mais um sinal do interesse manifestado pelo governo Lula em revitalizar o programa nuclear brasileiro. Em 2007, o Conselho Nacional de Política Energética, órgão que formula as diretrizes para o setor no País, havia decidido pela conclusão da usina de Angra 3 (que sequer foi iniciada até hoje, apesar de o equipamento necessário ter sido comprado há décadas e de consumir US$ 20 milhões ao ano só com manutenção).
PARA REDUZIR O RISCO DE CONTATO HUMANO COM ELEMENTOS RADIOATIVOS, 95% DO PROCESSO É AUTOMATIZADO
Amostras do minério em diferentes momentos do processo de reconversão: à esquerda, dióxido de urânio. À direita, tricarbonato de amônia e uranila, o TCAU de cor amarela
Em julho do ano passado, o poder executivo organizou o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, ao qual confiou a missão de estabelecer novas metas para o setor. O trabalho foi entregue apenas 45 dias depois e, se implantado, resultará num salto no uso e na infraestrutura nuclear, desde a etapa de prospecção, processamento e enriquecimento de urânio até a manipulação do lixo radioativo, passando por áreas como defesa nacional.
"A construção de novas usinas vai gerar o crescimento na produção de energia. E, para atender a esse crescimento, é natural que as demais etapas do processo também se desenvolvam", diz Atalla. Mas ele acredita em possibilidades maiores. "Com o aumento no uso da energia nuclear, haverá maior procura pelo urânio enriquecido. Eventualmente, o Brasil pode se tornar até mesmo exportador."
DENTRO DE RESENDE
Se futuramente as usinas realmente saltarem do papel para praias do litoral do Sudeste e do Nordeste, tal como previsto, a fábrica de Resende estará no epicentro do Brasil nuclear. É lá, numa área de 600 hectares, que ocorrem as etapas finais do chamado ciclo do urânio (veja infográfico na página 74). Esse processo começa com a extração do metal na Bahia. O material é enviado para o exterior, a fim de ser enriquecido e devolvido para ser trabalhado em Resende.
Depois de passar por um processo químico, o pó amarelo ganha uma coloração escura. Esse material é transformado em pequenas pastilhas de 1 cm por 0,8 cm, manipuladas por 96 funcionários vestidos com trajes protetores brancos. Para reduzir o risco de contato humano com elementos radioativos, 95% do processo em Resende é automatizado.
Agrupadas aos milhares em varetas, as pastilhas são colocadas numa estrutura conhecida como elemento combustível. Esse depositório é acondicionado no interior dos reatores. Ali ocorrem as reações nucleares que resultam na liberação de energia sob a forma de calor, gerando eletricidade.
PARA DESENVOLVER URÂNIO ENRIQUECIDO, A MARINHA SE INSPIROU NO PROJETO QUE LEVOU À BOMBA ATÔMICA AMERICANA
Um dos objetivos da retomada do programa nuclear é a nacionalização de todas as etapas do ciclo. Para isso, será preciso erguer uma usina de conversão que transforma o urânio sólido em gasoso, a fim de poder passar pela centrifugação. O custo estimado é de R$ 660 milhões. O complexo será construído pela equipe que atua no Rio de Janeiro. O local ainda não foi decidido pelas autoridades.
Já no caso da etapa de enriquecimento, a estatal não revela quanto dinheiro seria necessário investir, nem o total de centrífugas a serem construídas. Fontes do setor falam em 50 mil máquinas, apenas para suprir as três usinas de Angra. Isso exigiria a criação de unidades de enriquecimento nos próximos anos. Como essa etapa responde por 35% do custo da produção do combustível nuclear, a economia proporcionada poderá compensar, após alguns anos, o valor do dinheiro investido.
SEGURANÇA MÁXIMA
Não é permitido ver as centrífugas. Nem saber quantas estão em operação na fábrica. O sigilo que cerca o equipamento e permeia a rotina dos 531 funcionários da INB Resende condiz com o nebuloso processo percorrido pelo Brasil para conseguir enriquecer seu urânio. Guilherme Camargo, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), afirma que o projeto que resultou na tecnologia começou a ser desenvolvido há três décadas. Nos anos 60, o País se aproximou da Alemanha, movido pelo interesse em implantar usinas nucleares.
As primeiras tratativas previam que, além das usinas propriamente ditas, os alemães transfeririam também o conhecimento do método de enriquecimento de urânio por centrifugação. Quando o acordo foi fechado, em 1975, a Holanda, parceira da Alemanha no consórcio nuclear internacional Urenco, vetou a partilha tecnológica.
Os germânicos ofereceram ao Brasil o acesso a uma outra forma variante de enriquecimento, que, após muitos anos de pesquisa, se mostrou ineficaz. Em 1979, paralelamente à colaboração com a Alemanha, foi criado um programa nuclear secreto.
O NYT ACUSOU O BRASIL DE ENVIAR URÂNIO PARA O IRAQUE NOS ANOS 80
"A iniciativa surgiu a partir dos próprios pesquisadores da área e depois foi encampada pela Marinha. Tinha como objetivo construir um submarino nuclear e dominar a centrifugação", diz Camargo. Ele conta que o projeto foi conduzido com rigor pela Marinha. Ela contratou firmas e laboratórios civis para desenvolver componentes do programa. "Essas empresas trabalhavam num regime de alta segurança. Cada uma só fazia uma parte do trabalho, e só os administradores tinham a noção do todo. Eles copiaram esse modelo do Projeto Manhattan, iniciado em 1942 e que resultou na construção da bomba atômica americana."
Tanto segredo acabou dando certo. Já nos anos 80 realizaram-se os primeiros experimentos bem-sucedidos de enriquecimento de urânio em nosso País, inicialmente em laboratórios da Marinha. Mas, com o fim do regime militar, em 1985, as verbas para a área foram escasseando.
Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), um convênio entre a Comissão Nacional de Energia Nuclear e a Marinha selou a absorção do programa paralelo pelo oficial, dirigido pelo governo.
A Marinha, sem os recursos para produzir centrífugas na quantidade desejada pela indústria nuclear nacional, passou essa tarefa à INB e restringiu-se ao papel de desenvolvedora técnica.
TRAJETÓRIA VERDE-AMARELA |
75 anos de brigas com americanos, viagens secretas, negócios com a Alemanha e sigilo industrial
1934>>> USP realiza os primeiros estudos sobre uso da energia nuclear
1947>>> O Brasil cria a Comissão de Fiscalização de Minerais Estratégicos, para monitorar a exportação aos EUA de areia monazítica, rica em tório. O País propõe que, em troca do minério, os americanos repassem tecnologia nuclear, mas eles se recusam
1951>>> Por sugestão da comissão, é criado o Conselho Nacional de Pesquisas, CNPq, que herda a administração das reservas de urânio e tório. Álvaro Mota é o primeiro presidente
1954>>> Em viagem secreta à Europa, Álvaro Mota negocia com franceses a compra de uma usina de produção de yellow cake, o urânio livre de impurezas. Na Alemanha, adquire três centrífugas por US$ 80 mil. Na véspera de seu retorno, o equipamento é apreendido numa operação orquestrada pelos EUA. O fracasso resulta na exoneração de Álvaro Mota
1956>>> Criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN. Pesquisas com pequenos reatores, importados dos EUA, começam em sete Estados
1967>>> O Brasil decide construir uma usina atômica em Angra. A empresa americana Westinghouse é escolhida em1972 para tocar a obra. O acordo não prevê transferência de tecnologia, o que gera insatisfação em setores da comunidade nuclear brasileira
1967>>> O Brasil assina o Tratado de Tlateloco, no qual se compromete a não construir armas atômicas. O documento, porém, permite o uso da energia nuclear para fins militares, que será um dos objetivos dos governos durante a ditadura
1971>>> A CNEN cria a Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear para dominar todas as etapas de produção do ciclo do urânio. Inicia conversações secretas com a Alemanha para a transferência de tecnologia de enriquecimento por ultracentrifugação
1975>>> O acordo com a Alemanha prevê a construção de oito reatores e uma usina de combustível nuclear. Na última hora, por pressão internacional, o país trocou a tecnologia de ultracentrifugação pela de enriquecimento por jato, ainda em estado experimental
1977>>> Tentando mudar o perfil do acordo, os EUA ameaçam Brasil e Alemanha com sanções, sem sucesso
1979>>> Em segredo, a Marinha começa a desenvolver um programa nuclear paralelo, sob o comando do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, para dominar o processo de enriquecimento por centrifugação e construir um submarino atômico
1981>>> A Marinha firma um convênio com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP, que será um dos principais centros desenvolvedores de tecnologia do programa paralelo
1982>>> Primeiro experimento de enriquecimento de urânio por centrifugação, realizado pelo Centro Tecnológico da Marinha
1987>>> A fim de preservar o sigilo, só cinco anos após os primeiros experimentos é que o então presidente da República, José Sarney, anuncia em cadeia de rádio e TV que a pesquisa da Marinha mostrou-se bem-sucedida
1988>>> Um decreto-lei torna oficial todo o programa nuclear paralelo, acabando com seu caráter sigiloso
1995-2002>>> Devido ao corte de verbas, a Marinha transfere para as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) as centrífugas já concluídas e que formarão a base para a construção da Fábrica de Combustível Nuclear de Resende (FCN)
2004>>> A Agência Internacional de Energia Atômica inicia a negociação para inspecionar as centrífugas de Resende. Em abril, polêmica entre a AIEA e o Brasil chega à imprensa. A inspeção ocorre em novembro, e a agência autoriza o funcionamento da FCN
BRIGA INTERNACIONAL
Uma vez que a tecnologia paralela tornou-se oficial, ficou claro que era só uma questão de tempo até que o Brasil se tornasse o sétimo país do mundo a dominar o enriquecimento de urânio em escala industrial.
Por isso, em abril de 2004 estourou um imbróglio internacional envolvendo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O órgão multilateral é responsável por fiscalizar instalações nucleares no mundo inteiro e tenta evitar que o elemento enriquecido seja usado para a fabricação de bombas.
Na época, a imprensa estrangeira noticiou que inspetores da agência foram impedidos de conhecer a área das centrífugas em Resende. Embora a INB não confirme a ocorrência de atritos com os agentes, veículos americanos como a revista Science e o jornal The Washington Post escreveram artigos reclamando do que chamaram de "atitude não-cooperativa do Brasil".
O New York Times foi ainda mais longe: acusou o País de ter enviado urânio para o Iraque nos anos 80 e disse temer que o material nuclear produzido por aqui terminasse nas mãos de prováveis terroristas.
Ainda em 2004, os inspetores da AIEA voltaram para uma segunda visita. Mais uma vez, não puderam ver diretamente as centrífugas. Elas foram ocultadas por biombos, colocados pelos técnicos brasileiros. "Por trás dessa pressão estava uma questão de espionagem industrial", afirma Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp. Ele diz que o objetivo dos inspetores era analisar o conhecimento desenvolvido por aqui. "Mas ninguém revela a própria tecnologia nuclear. Tentaram criar uma imagem do Brasil como um país rebelde para nos pressionar. Não deu certo. Hoje, somos uma potência regional. Não vamos ser subservientes às outras nações."
"ANGRA 3 É SÓ A PONTA DO ICEBERG" |
O destino do lixo radioativo, risco de acidentes e altos custos: ambientalista do Greenpeace lista os problemas do programa nuclear brasileiro
Em abril passado, membros da ONG ambientalista Greenpeace navegaram até as usinas nucleares de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro, a bordo de uma pequena balsa. O objetivo do grupo era protestar contra o início da construção de Angra 3, que deve ocorrer ainda neste ano.
"Essas obras são só a ponta do iceberg", diz Rebeca Lerer, coordenadora da área de energia do Greenpeace.
"Por trás de Angra 3 está o interesse do governo na produção do combustível nuclear e no uso da tecnologia para outras aplicações, como a construção de um submarino atômico", afirma ela.
Rebeca enumera três fatores para argumentar contra a conclusão da construção da usina: o risco de acidentes nucleares, a crise econômica e o problema do lixo atômico. "O Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] concedeu o licenciamento para a obra mesmo sem que as autoridades tenham resolvido o problema da alocação dos dejetos", afirma. "Além disso, o preço da energia gerada por uma matriz nuclear é muito alto. Não justifica a realização de um investimento desse porte." Estima-se que a usina custará R$ 7,5 bilhões aos cofres públicos.
Rebeca também ataca a ideia de que a energia nuclear possa ajudar a combater o aquecimento global, tese que está sendo defendida até por ambientalistas famosos, como o pesquisador inglês James Lovelock. "Mas ele dá esses depoimentos em eventos organizados por empresas do setor nuclear." A ambientalista acha que uma eventual redução nas emissões de gases de efeito estufa com a construção de novas usinas representará um decréscimo muito pequeno e que ocorrerá tarde demais. "Os estouros nos cronogramas e orçamentos dos projetos de construção de usinas são bem conhecidos. Uma obra que está em andamento na Finlândia está atrasada três anos e com custo adicional de 1,5 bilhão de euros."
Ela diz que, ao privilegiar a retomada do programa nuclear, o governo Lula perde a oportunidade de buscar o desenvolvimento de matrizes mais limpas. "Angra 3 vai levar pelo menos seis anos para ficar pronta. Não seria mais interessante investir numa usina eólica, que pode ficar pronta em dois anos e gerar o dobro de energia?"
SUBMARINO ATÔMICO
Em 2006, o setor de enriquecimento de urânio em Resende foi oficialmente inaugurado depois que o Brasil e a AIEA estabeleceram um modelo para a realização das inspeções. No ano seguinte, o diretor da agência internacional, Mohammed el Baradei, pôde observar as centrífugas em ação. Ele disse que a expansão do nosso programa nuclear, anunciada pelo Poder Executivo para as próximas décadas, não lhe causa nenhuma preocupação.
Atuando em outra frente, Lula assinou em dezembro um acordo de cooperação com o presidente Nicolas Sarkozy, da França, que prevê a assistência dos franceses no desenvolvimento de partes do submarino nuclear brasileiro. Esse tipo de embarcação está sendo trabalhado no Brasil faz mais de 30 anos. Em março passado, o contra-almirante Carlos Alberto Bezerril deu uma palestra em São Paulo. Ao falar para 600 empresários, disse que o programa nuclear da Marinha prevê o término do projeto até 2021.
Mas veteranos da área, como Camargo, da Aben, não estão muito certos de que o processo vá realmente deslanchar. "O governo tem se mostrado melhor no discurso do que na prática. Por exemplo, fala em construir várias novas usinas. Mas Angra 3, que já teve 45% dos seus investimentos feitos, ainda não saiu do papel." E todas as incógnitas que envolvem a eleição presidencial de 2010 só tornam o cenário mais incerto.
Foram necessárias três décadas para entrarmos no reduzido grupo de países que podem enriquecer urânio em larga escala. Ainda não se sabe quantos anos serão necessários até que essa tecnologia venha a afetar a vida dos brasileiros. Contas feitas, ao menos encurtamos o caminho para que, um dia, sejamos capazes de iluminar o fim do túnel com energia nuclear. Seria um feito.
O CICLO DO URÂNIO |
O Brasil já domina quase todas as fases de produção do combustível nuclear
Fonte:
J.A.