terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O outro lado de armazenar o vento como disse a Presidenta brasileira.

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A presidenta brasileira é versada em frases de efeito, algumas confusas, outras sem sentido e outras chegam a causarem até “meme" na internet com aquela de armazenar o vento.
É mais provável que a iminente presidenta brasileira no caso,tenha escorregado num tema muito técnico que não domina.
É muito provável que devesse dizer amazenamento de energia, assim ficaria bem claro dentro das pesquisas atuais neste seguimento.
Por exemplo na energia solar algumas usinas que utilizam o vapor ( água aquecida por espelhos  projetados para aquecerem tubulações e destas para caldeiras), poderiam até depois do por do sol, continuarem a gerar energia  por algum tempo.

Agora no setor eólico tem algumas novidades publicadas pela revista eletrônica Inovação Tecnológica.

A primeira publicada na edição de 27/11/2015 com o tema :

Especial Armazenar o Vento , tecnologia  que deve serem 

levadas a sério.

Especial Armazenar o vento: Bateria Orgânica com Água.



Protótipo da bateria de fluxo orgânica, baseada apenas em materiais não tóxicos.[Imagem: Eliza Grinnell/Harvard Paulson School]

Bateria orgânica
Kaixiang Lin, da Universidade de Harvard, nos EUA, 

desenvolveu um novo tipo de bateria recarregável 


que pode tornar o armazenamento de eletricidade a 


partir de fontes de energia intermitentes, como a 


solar e a eólica, segura e barata, tanto para uso 


residencial como comercial.
Na operação da bateria, os elétrons são coletados e 

liberados por compostos químicos seguros, de 


baixo custo e abundantes - carbono, oxigênio, 


nitrogênio, hidrogênio, ferro e potássio - dissolvidos 


em água.
Os componentes ativos dos eletrólitos na maioria 

das baterias de fluxo são íons de metais como o 


vanádio dissolvido em ácido sulfúrico. Além de 


serem caros, corrosivos e difíceis de lidar, esses 


materiais são cineticamente lentos, o que talvez 


explique porque um conceito tão promissor quanto o


 das baterias de fluxo ainda não tenha sido 


largamente adotado.
Geração distribuída de energia
No ano passado, a mesma equipe havia apresentado

 uma bateria de fluxo orgânica na qual os metais 


foram substituídos por moléculas orgânicas 


(baseadas em carbono) chamadas quinonas, 


substâncias químicas naturais e abundantes, 


essenciais em processos biológicos como a 


fotossíntese e a respiração celular.
Mas as quinonas formavam apenas metade da 

bateria, seu eletrodo negativo, enquanto o lado


positivo dependia de um eletrólito de bromo. Esse 


metal é usado em várias outras baterias, sendo 


razoável seu uso em ambiente industrial, por 


pessoal qualificado.
Mas a toxicidade e a volatilidade do bromo depõem 

contra seu uso em ambientes residenciais, rumo 


à geração distribuída de energia, na qual painéis 


solares ou turbinas eólicas residenciais geram 


durante o dia a energia que a família usará à noite.
Ferrocianeto
Agora, a equipe finalmente conseguiu substituir o 

bromo por íons de um ferrocianeto não-tóxico e não-


corrosivo.
"Isso soa mal porque tem a palavra 'cianeto',", 

pondera o professor Michael Marshak. "O cianeto é 


letal porque se liga muito firmemente ao ferro do 


corpo humano. No ferrocianeto ele já está ligado ao 


ferro, por isso é seguro. Na verdade, o ferrocianeto 


é comumente usado como aditivo alimentar e 


também como fertilizante."
"Esta é a química que eu ficaria feliz em colocar no 

meu porão," disse seu colega Michael Aziz. "A não-

toxicidade e materiais abundantes e baratos 

colocados em uma solução de água significa que é 

segura - ela não pega fogo - e isso é uma enorme 

vantagem quando você está armazenando grandes 

quantidades de energia elétrica em qualquer lugar 

O Segundo artigo se refere a Bateria de Fluxo Térmica.
Especial Armazenar o vento: Bateria de fluxo

térmica, artigo publicado em 26/11/2015.
Em termos conceituais, toda a energia produzida pode ser armazenada indefinidamente e utilizada mais tarde. [Imagem: Kelvin Randhir/Universidade da Flórida]

Armazenamento termoquímico

Nathan Rhodes, da Universidade Estadual do 

Oregon, nos EUA, descobriu uma nova abordagem 


para o armazenamento de energia térmica solar 


concentrada, uma abordagem que reduz o custo e 


torna o mecanismo mais prático para uso em larga 


escala.
O avanço é baseado no armazenamento 

termoquímico, no qual uma reação química é usada 


em ciclos repetitivos para manter o calor, dirigi-lo 


para acionar turbinas e gerar energia e, em seguida, 


reaquecer o material para continuar o ciclo.
O armazenamento termoquímico lembra uma 

bateria, na qual ligações químicas são utilizadas para


 armazenar e liberar energia, mas a diferença 


essencial é que a transferência de energia é baseada 


no calor, e não na eletricidade.
Bateria térmica
O sistema se baseia na decomposição reversível do 

carbonato de estrôncio em óxido de estrôncio e 


dióxido de carbono, o que consome energia térmica 


(carregamento). No ciclo de uso da energia 


(descarregamento), a recombinação do óxido de 


estrôncio e do dióxido de carbono libera o calor 


armazenado.
Em comparação com outras técnicas, o novo 

sistema tem a vantagem de permitir um aumento de 


10 vezes na densidade de energia, tornando o 


equipamento muito menor e mais barato.
"Nesse tipo de sistema, a eficiência energética está 

estreitamente relacionada com o uso das 


temperaturas mais elevadas possíveis," explica o 


professor Nick Auyeung. "Os sais fundidos que 


estão sendo usados hoje para armazenar energia 


termossolar só funcionam a cerca de 600º C, e 


também requerem grandes recipientes e materiais 


corrosivos. O composto que estamos estudando 


pode ser utilizado a até 1200º C, e pode ser duas 


vezes mais eficiente que os sistemas existentes.
E os materiais não são corrosivos e nem inflamáveis,

 e estão disponíveis industrialmente a custo 


razoável.
Mais ciclos
Em termos conceituais, por este processo toda a 

energia produzida pode ser armazenada 


indefinidamente e utilizada mais tarde, quando a 


eletricidade for necessária. Alternativamente, uma


 parte da energia poderia ser utilizada imediatamente


 e o restante direcionado para armazenamento e 


uso posterior.
Em testes em escala de laboratório, o sistema 

funcionou bem por 45 ciclos de aquecimento e 


resfriamento, quando então o material começou a 


apresentar alterações químicas que reduziram sua 


eficiência.
Assim, mais pesquisas serão necessárias para 

identificar formas de reprocessar os materiais ou 


aumentar significativamente o número de ciclos que


 podem ser executados com essa bateria térmica.



http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=armazenar-vento-bateria-fluxo-termica&id=010115151126#.Vl3cndKrRkg

.O terceiro se refere a Bateria orgânica. 

Especial Armazenar o vento: Bateria Orgânica .



O primeiro protótipo é pequeno, mas sua robustez (10.000 ciclos) entusiasmou a equipe a construir uma versão maior.[Imagem: Anne Guenther/FSU]



.Bateria orgânica
Uma equipe de pesquisadores da Universidade 

Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha, 


desenvolveu um sistema que usa polímeros 


orgânicos e uma solução salina inofensiva para 


armazenar energia.
O sistema é voltado para o armazenamento 

temporário de fontes intermitentes de energia, como


 a solar e a eólica, que geram energia demais num 


momento, e de menos em outro.
"O que é novo e inovador na nossa bateria é que ela 

pode ser fabricada a um custo muito menor, e quase


 atinge a capacidade dos sistemas tradicionais que


 usam ácidos e metais," disse o professor Martin 


Hager, coordenador da equipe.
Durante um longo tempo, as baterias de fluxo - 

também conhecidas como sistemas redox - foram 


desenvolvidas utilizando o metal vanádio dissolvido 


em ácido sulfúrico como eletrólito. Ocorre que o 


vanádio é extremamente caro, e o ácido sulfúrico 


altamente corrosivo.
Bateria redox sem ácidos
Nesta bateria redox construída pela equipe alemã, 

são utilizados materiais sintéticos. A estrutura 


central lembra o isopor (poliestireno), no qual 


grupos funcionais foram adicionados para permitir 


que o material aceite ou doe elétrons.
Os polímeros literalmente "nadam" em uma solução 

aquosa, sem necessidade de ácidos agressivos.
"Assim, conseguimos usar uma membrana de 

celulose simples e barata e evitar materiais tóxicos e


caros," disse Tobias Janoschka, principal projetista 


do sistema.
Nos primeiros testes, a bateria redox de fluxo 

suportou 10.000 ciclos de carga e descarga com 


uma perda mínima de capacidade.
A densidade de energia do protótipo chegou a 10 

Watts-hora por litro. A equipe afirma já estar 

trabalhando em uma versão maior e mais eficiente. 


O quarto,  se refere a Fluxo de lítio, publicada em 
30/11/2015.



A tecnologia possui uma inusitada junção de elementos sólidos e líquidos, uma novidade nas baterias redox. [Imagem: C. Jia et al. - 10.1126/sciadv.1500886]


Tecnologia matadora

Se existe uma tecnologia "matadora" para as baterias de fluxo, ela consiste na incorporação da tradicional tecnologia das baterias de lítio nos fluxos eletroquímicos que permitem armazenar energia em tanques.
Isto porque as baterias de lítio têm uma densidade
de energia muitíssimo mais elevada do que qualquer
bateria de fluxo demonstrada até hoje, incluindo as
mais desenvolvidas - mas muito problemáticas -
baterias redox de vanádio.
Pois o feito acaba de ser realizado por Chuankun
Jia, da Universidade Nacional de Cingapura, cuja 
equipe construiu a primeira bateria de fluxo redox
usando o lítio como elemento principal do ciclo
 eletroquímico que armazena a energia.
Bateria de fluxo de lítio
Jia manteve a arquitetura geral de uma bateria de
fluxo, com tanques de armazenamento de cargas
separados por uma pilha central de eletrodos,
responsáveis por armazenar e depois recuperar a
 eletricidade.
Mas, no interior dos tanques externos, ele usou
compostos de lítio em estado sólido, um contendo
um material comumente usado no polo negativo das
baterias de íons de lítio, chamado fosfato de ferro-
lítio (LiFePo4), e o outro contendo dióxido de titânio
(TiO2), frequentemente usado no polo positivo das
bateria de lítio.
Os líquidos foram mantidos no papel de
transportadores de carga - os chamados mediadores
 redox. Os materiais sólidos são porosos o suficiente
 para permitir que os mediadores redox líquidos os
 atravessem e capturem elétrons e íons de lítio,
levando-os para a membrana de separação.
A equipe ainda modificou o material comumente
usado como membrana nas baterias de fluxo,
chamado Nafion, combinando-o com outro polímero
que permite que os íons de lítio passem mais
facilmente.
Bateria redox sólido-líquida
E essa configuração sólido-líquido inusitada para uma bateria de fluxo funcionou. E funcionou bem, armazenando 10 vezes mais energia por volume nos tanques do que as baterias tradicionais de vanádio - a densidade de energia chegou a 500 Watts-hora por litro.
A novidade trouxe novo ânimo para os
pesquisadores da área, que agora devem se
debruçar na melhoria dos detalhes que faltam para
viabilizar a adoção prática da bateria de fluxo de lítio.
O principal desafio a ser vencido é que, embora 
armazene muita energia, a nova bateria libera essa 
energia muito lentamente. A equipe afirma estar 
enfrentando o problema tentando melhorar a 
membrana e os mediadores redox usados, de forma 
a preservar os ganhos com o uso dos compostos 
sólidos de lítio.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Componente valetrônico transmite dados sem emitir calor

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Mais um interessante artigo publicado pela Revista Eletrônica Inovação Tecnológica em 19/11/2015.

Valetrônica
Uma das áreas de fronteira no campo da 
computação é a valetrônica, uma possibilidade 
tecnológica que emergiu com a descoberta 
do grafeno e outros materiais bidimensionais.
Além de estabelecer uma ponte entre a eletrônica e 
a computação quântica, a valetrônica acena com 
circuitos com um consumo mínimo de energia e 
virtualmente nenhuma dissipação de calor.
Agora, engenheiros da Universidade de Tóquio, no 
Japão, construíram o primeiro componente 
valetrônico totalmente controlável.
A aplicação de uma corrente elétrica vertical cria uma diferença de energia entre as duas camadas de grafeno, o que quebra sua simetria e permite o controle da corrente de vales. [Imagem: Seigo Tarucha Lab]

Corrente de vales
Embora o controle das "correntes de vales" - em 
oposição às correntes de cargas, ou elétrons - já 
tivesse sido demonstrado no grafeno, o controle da 
conversão entre a corrente de cargas convencional e
a corrente de vales era limitado.
Yuya Shimazaki e seus colegas construíram um 
componente com uma camada dupla de grafeno 
ensanduichada entre duas camadas isolantes, que 
se mostrou capaz de converter a corrente comum 
em corrente de vales ao longo de um canal de 3,5 
micrômetros.
Assim, a corrente de vale foi transferida a uma 
distância grande o suficiente para excluir outras 
possíveis explicações para os resultados. O 
componente também permite controlar da eficiência 
da conversão.
A equipe acredita que o sucesso na integração desse
 dispositivo permitirá a futura fabricação de 
componentes valetrônicos que operem a 
temperatura ambiente - no protótipo, a corrente de 
vales foi detectada a -203,15º C.

Esquema (em cima) e protótipo (embaixo) do componente valetrônico. [Imagem: Seigo Tarucha Lab]

O que é corrente de vales?
Em escala atômica, a matéria se comporta como 
partícula ou como onda. Assim, os elétrons possuem
 um comprimento de onda associado a eles, que 
normalmente pode ter muitos valores diferentes.
Os sistemas cristalinos, no entanto, - materiais 
sólidos - parecem ter uma certa "preferência" por 
alguns comprimentos de onda. O grafeno, por 
exemplo, tem dois comprimentos de onda 
favorecidos, conhecidos como K e K'. Isto significa 
que dois elétrons no grafeno podem ter a mesma 
energia, mas diferentes comprimentos de onda - 
ou, dito de outra maneira, diferentes vales.
O termo "vale" refere-se às depressões na onda-
elétron, um valor determinado pela simetria do 
cristal - essas ondulações na banda de condução do 
grafeno alcançam valores que são denominados 
"índices de vale".
A eletrônica usa a carga dos elétrons para 
representar informações, mas quando as cargas 
fluem através de um material, uma parte da energia 
é dissipada na forma de calor, um problema para 
todos os dispositivos eletrônicos atuais. No entanto, 
se a mesma quantidade de elétrons fluir em um 
canal em direções opostas, nenhum calor será 
dissipado. Infelizmente, isso significaria que 
nenhuma informação poderia ser transferida.
Um componente valetrônico resolve essa deficiência 
transmitindo as informações em correntes de vale 
puras, ou seja, uma corrente na qual os elétrons 
com o mesmo vale fluem na mesma direção - 
levando a informação sem dissipar calor.
"A corrente de vales, ao contrário da corrente de 
cargas, é não dissipativa. Isso significa que 
nenhuma energia é perdida durante a transferência 
de informações. Com o consumo de energia 
tornando-se uma questão importante na eletrônica 
moderna, componentes baseados nas correntes de 
vales abrem um novo caminho para futuros 
equipamentos de computação de consumo ultra-
baixo," disse o professor Seigo Tarucha, 
coordenador da equipe.

Vale lembrar, o que é a Valetrônica?

Segundo artigo da hypescience, detalha o assunto;

Em um artigo da Physical Review Letters os pesquisadores Daniel Gunlycke e Carter T. White fundamentam os pilares de uma nova área de pesquisa – a Valetrônica.
Como boa parte das novidades tecnológicas que tem surgido ultimamente essa pesquisa está também relacionada ao grafeno.

Recordando nossas aulas de Química, sabemos que o grafeno – a nova vedete tecnológica – é simplesmente o nome dado à cada uma das camadas que compõe a estrutura cristalina do grafite. A IUPAC o define como sendo:
“Uma única camada da estrutura grafítica, da espessura de um átomo, sendo considerada como o último membro da série de naftalenos, antracenos, coronenos, etc., e o termo grafeno deve, portanto, ser utilizado para designar a camada individual de carbono em compostos de intercalação de grafite. O uso do termo “camada de grafeno” é também considerada para a terminologia geral dos carbonos”.
Numa analogia, imagine o grafeno como sendo uma tela de arame. Empilhadas seria o grafite. Se com uma tela confeccionarmos um tubo, teremos o nanotubo de carbono. Se confeccionarmos uma bola teremos mais um estado alotrópico do carbono: o fulereno – e assim sucessivamente.
Como já noticiado aqui no Hypescience pesquisadores descobriram que inserir “defeitos” intencionais na estrutura do grafeno pode permitir a criação de componentes eletrônicos menores e mais rápidos.
No entanto Gunlycke e White decidiram aproveitar os “defeitos” naturais que produzem comportamentos discretos ao longo das folhas de grafeno.
Esses defeitos produzem “vales” nas bandas de condução e de valência do grafeno – daí este novo campo da tecnologia ser batizado de valetrônica.
O comportamento convencional dos semicondutores está fundamentado no fluxo de cargas elétricas, representadas pelos elétrons (carga negativa) e lacunas (carga positiva).
Entre estas duas pistas de condução existe um “gap” ou banda de condução que determina o comportamento do semicondutor – se conduz ou não a corrente elétrica – por exemplo.
No grafeno, essa banda não é homogênea, mas repleta de vales, os denominados “defeitos naturais”, provavelmente provocados por flutuações térmicas.
O termo “vale” refere-se a depressões de energia na estrutura de banda (que descreve a energia dos elétrons que ali atuam como ondas) permitidas pela simetria do cristal e assim formando graficamente dois pares de cones.
A polarização pelos vales é realizada quando elétrons e lacunas em um vale são separados espacialmente dos elétrons e lacunas de outro vale. Esse processo é complicado de ser obtido na prática porque ambos os vales possuem a mesma energia.
Com a nova descoberta, essa separação espacial pode ser realizada em estruturas de grafeno que possuam uma simetria de reflexão ao longo de uma direção cristalográfica específica, sem ligações que intercruzem a região de simetria.
A simetria de reflexão permite que somente ondas eletrônicas (elétrons) simétricas percorram a linha de defeito – as demais ondas são refletidas.
Estima-se que elétrons e lacunas que se aproximem dessa linha de defeito com um grande ângulo de incidência serão polarizados com uma eficiência próxima aos 100%.
Na prática, isso significa que há outro estado quântico caracterizando os elétrons do grafeno, intimamente associado à dimensão desses vales. Esse “índice de vale” corresponde a um momento magnético distinto, consequentemente a um novo número quântico.
O interesse nesse novo número quântico é crescente tendo em vista que esse novo momento magnético é pelo menos 30 vezes mais forte do que os mensurados anteriormente, ou seja, um efeito com grande potencial para aplicações tecnológicas, em substituição à eletrônica e eventualmente complementar a outro ramo emergente – a spintrônica (que abordaremos em artigos futuros).
A valetrônica promete ainda muitas novidades, desde a fabricação de supercondutores à temperatura ambiente até superprocessadores que transformarão o tão sonhado computador quântico em uma realidade. É esperar para ver.

Fontes :



J.A.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pioneirismo do Prof. Ênnio Amaral evolui - Cabos Pára-Raios Energizados (PRE).

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Esta é a conclusão do trabalho de pesquisa do engenheiro eletricista José Ezequiel Ramos, no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP.

Os amigos que me acompanham devem lembrar dos artigos sobre o pioneirismo do Prof. Ênnio Amaral na eletrificação rural de baixo custo.
A idéia segue o mesmo caminho, transportar energia elétrica com retorno pela terra ou simplesmente conhecido como (RDR) ou ( MTR) e agora no artigo como(PRE).
Obviamente que precisaria de uma pesquisa cientifica de viabilidade técnica, econômica e segurança, coube ao autor do estudo mostrar os caminhos.

Vamos ao artigo:

Cabos para-raios tornam energia elétrica mais barata.

As linhas de transmissão, utilizadas para transportar grandes quantidades de energia elétrica, utilizam os cabos para-raios para protegê-las de descargas atmosféricas (raios), evitando com isso seu desligamento. Esses cabos também podem ser utilizados para transportar energia elétrica, por meio da Tecnologia Cabos Para-raios Energizados (PRE), para atender pequenas comunidades situadas nas proximidades dessas linhas. Um estudo desenvolvido pelo engenheiro eletricista José Ezequiel Ramos, no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, mostrou que a Tecnologia PRE tem um desempenho econômico e operacional melhor, se comparado às tecnologias convencionais, para abastecer essas pequenas comunidades próximas às linhas de transmissão.
Com a tecnologia PRE, além de proteger as linhas de transmissão contra descargas atmosféricas, os cabos pára-raios podem transportar energia elétrica a comunidades próximas.[Imagem: Ag.USP]

A Tecnologia PRE, desenvolvida na Itália, é baseada na 
utilização dos cabos para-raios em linhas de 
transmissão de Alta e Extra Alta Tensão, sendo esses 
cabos isolados e energizados para viabilizar a 
transmissão de energia elétrica em Média Tensão. 
“Nesses níveis de tensão é possível o atendimento às 
pequenas comunidades por intermédio de 
subestações, 
onde a tensão elétrica é reduzida para o nível de 
consumo doméstico ou de pequenas indústrias”, 
explica Ramos.
O engenheiro participou da implantação da tecnologia 
em Rondônia, acompanhando, posteriormente, sua 
operação e manutenção. Daí o interesse pelo estudo do
 PRE.
A pesquisa investigou, entre outras questões, como as 
descargas atmosféricas (raios) afetam a linha PRE e 
linhas de transmissão como um todo, o desempenho 
operacional resultante de mais de 180 meses de 
operação do PRE em Rondônia e sua viabilidade 
econômica em relação aos demais sistemas. 
“Estudamos também se as descargas atmosféricas são 
as principais causadoras das interrupções no Siste
ma PRE, e não as falhas em equipamentos ou outras 
limitações operacionais”, completa o engenheiro.
Foram utilizados como fonte de dados os registros 
operacionais do PRE em duas cidades de Rondônia: 
Jaru, entre 1996 a 2000, e Itapuã, entre 1997 e 2007. 
Os 180 meses de experiência operacional com as duas 
instalações PRE permitiu comparar o número de 
interrupções verificadas no período com o número de 
interrupções estimadas na teoria.
Também foram feitas também medições de 
resistividade do solo e resistência de terra, e utilização 
de dados disponíveis da região relacionados à 
quantidade de chuvas, temperatura, umidade relativa, 
pressão atmosférica, e registros de descargas 
atmosféricas.

Menos custos e mais benefícios

Uma das primeiras conclusões do trabalho foi a 
constatação de que o Sistema PRE não diminui o 
desempenho da linha de transmissão. Ao contrário, o 
desempenho da linha é melhorado. Os resultados 
mostraram também que o Sistema PRE é bastante 
sensível às descargas atmosféricas, de forma que, 
mesmo para baixas correntes de descarga, acontece a 
saída de operação do sistema. “Apesar disso, devido à 
característica sazonal das descargas atmosféricas, o 
desempenho operacional anual do PRE é igual ou 
melhor que os sistemas utilizados nas pequenas 
localidades da região”, explica.
No aspecto econômico, Ramos destaca que, somadas 
as duas cidades, a Tecnologia PRE evitou a queima de 
mais de 80 milhões de litros de óleo diesel para 
produção de energia, resultando em uma economia 
superior a R$ 180 milhões. “Comparando esse valor 
com o custo do investimento para implantar o PRE, eles
 foram pagos mais de 60 vezes. E comparando somente
 os cabos para-raios isolados e energizados, seu custo 
é quase dez vezes menor que os cabos convencionais”, 
completa.


Alternativa tecnológica

O estudo favorece futuros projetos de implantação ou 
expansão da Tecnologia PRE. Dessa forma, empresas 
públicas e privadas têm uma alternativa a mais em 
relação às convencionais com finalidades semelhantes: 
atender pequenas comunidades isoladas, próximas aos 
corredores das grandes linhas de transmissão.
Ramos espera que essa alternativa tecnológica possa 
ser utilizada nas políticas públicas de universalização 
da energia elétrica. “O grande desafio enfrentado pelas 
novas tecnologias é a falta de conhecimento sobre as 
mesmas, o que pode levar à sua rejeição. Portanto, a 
pesquisa tem o mérito de contribuir com a oferta de 
maior conhecimento, permitindo sua inclusão no rol 
das demais alternativas analisadas para atendimento a 
pequenas comunidades”, finaliza.
O estudo foi defendido como tese de doutorado, no 
IEE, em abril de 2010, com o título Universalização da 
energia elétrica através da tecnologia cabos para-raios
energizados (PRE). A pesquisa foi orientada pelo 
professor Alexandre Piantini.
Como é normalmente o cabo de cobertura aterrado ao contrario do proposto que tem isoladores.

Fontes:




J.A.