terça-feira, 7 de julho de 2015

Bioeletrônica-Neurônio artificial conecta-se a células humanas

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Da Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/07/2015

Bioeletrônica
Um neurônio artificial totalmente funcional promete 
dar impulso ao campo da bioeletrônica.
O neurônio artificial não contém nenhuma parte 
"viva", mas é capaz de imitar o funcionamento das 
células nervosas humanas e comunicar-se de forma
 semelhante às sinapses.
Até agora, os neurônios e sinapses artificiais vinham 
sendo criados por memristores, componentes 
eletrônicos que registram uma memória das 
correntes elétricas que o atravessaram. Mais 
recentemente começaram a surgir os transistores 
O neurônio artificial interpreta sinais elétricos de outros neurônios e gera sinais químicos compatíveis com os neurônios humanos vivos. [Imagem: Daniel T. Simon et al. - 10.1016/j.bios.2015.04.058]
Vejam também , publicação da mesma revista em  - 
05/11/2013 com o título;

Transístor sináptico vai além da lógica binária

O transístor sináptico não está restrito ao sistema binário de 0s e 1s.[Imagem: Eliza Grinnell/Harvard SEAS]


Continuando :
A equipe da professora Agneta Richter-Dahlfors, do 
Instituto Karolinksa, na Suécia, vem trabalhando em
uma linha similar a esta última, usando transistores
O novo componente recebe sinais químicos e gera
 sinais elétricos correspondentes, sinais estes que
 podem ser usados para acionar diretamente 
neurônios de verdade, abrindo caminho para a 
criação de interfaces entre o eletrônico e o biológico.
Vejam também ; 

"Neurônios são controlados eletronicamente com transístor iônico

Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/06/2010
Neurônios são controlados eletronicamente com transístor iônico
Os cientistas criaram um transístor de plástico capaz de transportar íons e biomoléculas carregadas eletricamente e, portanto, controlar o funcionamento das células.[Imagem: Tybrandt et al./Pnas]
Um passo importante 
rumo ao controle externo de 
células vivas com a ajuda de equipamentos 
eletrônicos foi dado por pesquisadores da 
Universidade de Linköping e do Instituto Karolinska, 
ambos na Suécia.
Os cientistas criaram um transístor de plástico capaz
 de transportar íons e biomoléculas carregadas 
eletricamente e, portanto, controlar o funcionamento
 das células. "
Link:

Voltando ao tema :
Terapias neurológicas
"Nosso neurônio artificial é feito de polímeros 
condutores e funciona como um neurônio humano," 
explica a professora Agneta.
O protótipo ainda é grande, e precisará ser miniaturizado. [Imagem: Daniel T. Simon et al. - 10.1016/j.bios.2015.04.058]

"O componente de sensoriamento do neurônio 
artificial detecta uma mudança nos sinais químicos
 em uma pipeta e traduz isto em um sinal elétrico. 
Este sinal elétrico é em seguida convertido na 
liberação do neurotransmissor acetilcolina em uma 
segunda pipeta, cujo efeito sobre as células 
humanas vivas pode ser monitorado," adicionou.
Como primeira linha de aplicação, a equipe espera 
que o neurônio bioeletrônico possa ser utilizado em 
terapias neurológicas de estimulação elétrica.
"A seguir, nós queremos miniaturizar este dispositivo
 para permitir sua implantação no corpo humano," 
prosseguiu Agneta. "Prevemos que, no futuro, 
adicionando o conceito de comunicação sem fio, o 
biossensor possa ser colocado em uma parte do 
corpo, e acionar a liberação de neurotransmissores 
em locais distantes. Usando esse sensoriamento 
autorregulado, ou, eventualmente, um controle 
remoto, abrem-se oportunidades novas e excitantes 
para futuras pesquisas e tratamentos de distúrbios 
neurológicos."

Fontes :




J.A.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O polemico Físico Bob Lazar

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Robert Scott Lazãr (Coral Gables, 26 de janeiro de 1959), físico norte americano, que se notabilizou por falar abertamente dos seus trabalhos dentro da famosa AREA 51 e de seu trabalho em naves alienígenas. É um dos notáveis para os amantes e estudiosos da Ufologia.
Porque polêmico? 
Suas afirmações foram muito contestadas por seus pares da comunidade cientifica e publicamente pelo governo americano afirmando desconhecer qualquer trabalho do físico em suas instalações.

O assunto teve relevância quando de uma entrevista Geoge Knapp da FLAS-TV de Las Vegas, em 1989, onde revelou importantes experiências ligadas a engenharia reversa com naves alienígenas e a partir daí não teve mais paz segundo os relatos de revistas especializadas.
Uma de suas afirmações na época era sobre o combustível destas naves, o elemento químico 115, desconhecido por aqui naqueles tempos.
"Lazar explicou como esta impressão o atingiu inicialmente depois que ele embarcou na nave sob investigação e examinou seu interior. Para a propulsão desses veículos espaciais, Bob Lazar explica como o elemento atômico 115, denominado cientificamente como ununpêntio, serviria de combustível nuclear. Em sua experiência, o elemento 115 providenciou uma fonte de energia que produziria antigravidade sob um bombardeamento particular. Como o intenso campo de força nuclear do elemento 115 seria adequadamente amplificado, o efeito resultante seria a distorção do campo gravitacional circundante. Um veículo produzindo tal distorção poderia alterar sua própria relação com o espaço ao seu redor - permitindo-o encurtar dramaticamente a distância entre ele próprio e um destino mapeado. Lazar atribuiu a falta do elemento 115 na Terra ao fato da Supernova na região Terrestre da Galáxia ter sido insuficientemente massiva para produzir núcleos dessa densidade. Ele postula que outras partes do universo poderiam ser ricas neste elemento."


Parte da credibilidade de Lazar foi recuperada quando cientistas Russos e Americanos publicaram artigo informando que tinham conseguido criar sinteticamente tal elemento em 2004, afirmando se tratar, como um isótopo instável, confirmando a existência de tal átomo.

Fonte:

Vídeo ilustrativo com explicações básicas sobre o novo elemento;


E agora como fica ???

Existe um ditado popular no Brasil que diz;
- Onde há fumaça, existe fogo!
Outro que sempre gostei nestes assuntos polêmicos;

Fontes:






J.A.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Porque é recomendável utilizar trafo-isolador em no-break´s modernos

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Falei em outro tópico sobre as novas tecnologias de no-breaks que reduziram tamanho, peso e aumentaram a eficiência energética entre outros. A grande maioria destes equipamentos vem para operação normal em 220 Vac o que facilita o uso em 220V/220V padrão de fábrica ( imagem 3 ).
Um aspecto também comentado se refere a sensibilidade elétrica como todo equipamento eletrônico e continuando neste tema vamos acrescentar um importante item e os porquês.
Tipo Toroidal largamente utilizado nos dias de hoje pelo tamanho e peso.
Dados também da Wikpedia Trafo-Isolador.

A configuração básica mostrada vem de uma longa pesquisa dos fornecedores, chegando até os dias de hoje, nos chamados no-break´s trifásicos modulares.
Alguns fatores agridem fortemente a nova tecnologia sendo preciso medidas adicionais para que ela suporte ás condições inóspita de nossa rede elétrica, também, deveremos observar os tipos de carga.
Como vimos no exemplo, os transistores de potencia do inversor praticamente estão conectados a saída de carga aumentando muito a eficiência, no entanto, com condicionais a ser levado em conta. Por exemplo;
Carga indutiva na saída não é recomendada, pois, podem gerar sobre-tensões reversas sobre a potencia . Isso pode danificar estes componentes, embora tenham diodos de proteção. Não é só isso, a possibilidade de interação com potenciais referenciados em outras alimentações oriundas de cabos de comando/remotas/aterramentos etc., gerando correntes indesejadas e danosas.
Exemplo:
Nesta configuração abaixo, já mostra 2 no-breaks de 12 kVA em paralelo redundante na parte superior. Em baixo, o trafo-isolador de entrada e os dois bancos de baterias, ocupando uma área de aproximadamente 70 cm 2. Uma coisa nem pensada no passado recente, dois no-breaks, bancos de baterias e trafo-isolador neste pequeno espaço e nesta potencia. Tem mais ainda, são encaixáveis nos Racks de informática podendo reduzir ainda mais o espaço útil utilizado do ambiente.
Vamos ás considerações:

A) Alimentação em 220 V fase/fase;
- Em tese não tem nenhum problema considerando que todas as fontes conectadas a este potencial sejam isoladas. No entanto, existem casos principalmente em conexões ligada a comunicações remotas ou telecomunicações, em que as fontes tenham proteção para um potencial muito alto, limitando  a diferença entre terra e neutro.

-Estações de rádio em que o equipamento esteja referenciado em outro terra de proteção.

- Rede de automação fabril em que no campo existam outros potenciais e ou aterramentos.

- Regiões em final de linha sujeitas a muitos transitórios, o trafo isolador é uma impedância a mais em série com a linha além de fonte de isolação galvânica..

- Locais sujeitos a sobre-tensões por chaveamento de máquinas de grande porte e acionamentos de bancos de capacitores, por exemplo, (o mesmo citado no item anterior).

B) Saídas em potenciais diferentes.
Considerando também uma alimentação 220V fase/fase, o trafo isolador pode ser colocado na saída do inversor modulando o enrolamento secundário para o potencial desejado ou ainda, reajustando a tensão de saída para que o potencial secundários seja o desejado.
Resolve o problema das cargas que de alguma forma estejam interagindo com outros potenciais, no entanto permanecem as sensibilidades da tensão de alimentação na entrada, exigindo a inclusão de Supressores e DPS, por exemplo.
  
C ) Equipamentos trifásicos;
È muito comum, considerando a subestação muito próxima, o uso de auto–trafos para compatibilizar tensões, no entanto  (Estes equipamentos trabalham, na potencia com tensões de 380 V até 440 Vac), quando ela tem origem na rede de alimentação da concessionária  convencional sempre é recomendável o uso de trafo-isolador na entrada.
 Como foi dito acima, a isolação galvânica além de limitar  a interferência dos ruídos elétricos vai isolar o novo neutro da rede elétrica. Estes benéficos serão transmitidos a toda eletrônica do no-break, fornecendo também uma alimentação muito mais estável e segura ao consumidor. Se tiver blindagem eletrostática é mais um ponto a favor, pois vai barrar os ruídos de RF e de alta freqüência oriundos externamente.

No-break´s modulares de 120 Kva. Para operação em paralelo redundante
Trafo-Isolador D/Y 440V/380 Vac.
Para a rede, o trafo-isolador serve como uma impedância limitando os picos de corrente e ruídos do chaveamento (harmônicos) na potencia do retificador refletido na rede.
A configuração Triangulo (Primário) / Estrela (Secundário) oferece vantagens elétricas importantes na sua aplicação;
1- Desbalanceamento da corrente de carga secundária se refletira no primário com mais equilíbrio.
2- Se por acaso, ocorrer um desnível de tensão na entrada, na saída secundária a tendência será de mais equilíbrio também.

Nota:
Esta configuração apresenta um defasa mento elétrico entre o primário e o secundário de 30 graus elétricos, portanto, alguns cuidados para quem lida com no-break´s.
 A primeira seria alimentar o circuito de by-pass do mesmo trafo-isolador utilizado na alimentação do no-break.
A Segunda, não tendo isso, alimentar com outro trafo-isolador D/Y com o neutro referenciado no mesmo aterramento que serve ao trafo de alimentação do no-break.
Sem estas condições o no-break não sincronizará com a rede via by-pass além de flutuações de potencias entre os dois terras quando não equalizados.
O diagrama pode ser ao contrario, alimentação de entrada primária no Triangulo e saída na Estrela como secundário, unindo-se o comum no terra gerando o neutro isolado.
Trafo-isolador trifásico  comercializado no mercado nacional.
Outra consideração, embora isso seja também uma carga em série na linha e por consequência uma alteração no fator de potencia, os benéficos compensam tudo com aumentando da segurança elétrica.

“No-breaks de tecnologias antigas costumavam vir com dois trafos-isoladores para completar o duplo conversor, o de entrada e o de saída no inversor”.
Nos dias de hoje nem sempre isso é necessário, mas sempre deveremos ver as especificidades dos locais e das cargas.
No-break antigo ASEA de 200 KVa, tinha cerca de 7 metros de comprimento e dois trafos isoladores.
Porque estamos falando nisso?

Acompanhando o quadro de manutenções corretivas, tem se observado que em alguns locais tem ocorrido um índice maior de corretivas e reparos importantes de módulos e circuitos de potência, comumente todos interligados. Quando se vai analisar “o por que” disso sempre se encontra anormalidades na instalação, tipo de rede alimentadora, falta de proteção contra sobre-tensões e tipos de cargas.

Eu sempre cito uma instalação de um pequeno no-break de 3 Kva em que o índice de falhas era tão alto que foi necessário trocar a tecnologia. Mesmo assim o novo equipamento também voltou apresentar as mesmas falhas do anterior. Isso nos levou a concluir que era algo externo e foi resolvido com um filtro RF/MFI duplo PI que nós mesmos projetamos e instalamos no local. Também tenho observado que alguns dos equipamentos produzidos para o mercado brasileiro, já vem equipados com filtros desses para a entrada e saída adicionados com varistores.
Filtro RF/MFI + Varistores produzido para sanar o problema citado acima..
Com um mercado competitivo em que cujos custos são importantes para se ter um preço final bom, sempre é deixado de lado adição de trafos-isoladores que vai acabar encarecendo o produto final. Entende-se bem isso, mas ás vezes vale a pena o uso da ética e recomendar para certos tipos de instalação como foi dito acima, adição de trafos-isolador e supressores tipo DPS ou nos casos mais críticos filtros tipo RF/MFI/Supressores de surto. Fica aí a minha dica para aumentar a confiabilidade e a segurança funcional destes novos equipamentos  e que se possa usufruir de toda tecnologia disponível. de sensoriamento e supervisão remota.

Não estamos dizendo que não é correto o uso sem trafo-isolador e sim, dizendo que precisamos identificar quando é necessário analisando os aspectos elencados acima e seus benefícios correspondentes.

Assuntos Correlatos:




Todas as imagens mostradas neste tópico foram retiradas da internet onde estão disponíveis para o público em geral.


J.A.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O que é um " Memristor ".

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Um memristor (do inglês "memory resistor" ou, em português, resistor com memória) é um componente eletrônico passivo de dois terminais que mantém uma função não-linear entre corrente e tensão.

 Essa função, conhecida comomemresistance (em português, memresistência), é similar a uma função de resistência variável. Alguns memristores específicos provêm resistência controlável, mas não estão disponíveis comercialmente. Alguns componentes eletrôncios, tais como baterias ou varistores também apresentam características de memristores, mas são sutis e não são dominantes em seu comportamento.
O memristor é considerado o quarto componente eletrônico passivo. Da mesma forma que para o resistor, o capacitor e o indutor, a definição do memristor pode ser dada por variáveis fundamentais da Eletrônica, tais como corrente, tensão,carga elétrica e fluxo magnético. No entanto, ao contrário dos outros três elementos que são lineares e invariantes ao tempo, o memristor é não-linear e pode ter forma de grande variedade de funções de carga variáveis ao tempo. Não existe, assim, um memristor genérico: cada memristor pode ser desenvolvido para desempenhar uma determinada função não-linear entre a integral da tensão e a integral da corrente. Um memristor linear e invariante ao tempo é simplesmente um resistor convencional.

A teoria do memristor foi formulada Leon Chua num artigo de 1971. Chua extrapolou a simetria conceitual que existe entre resistor, indutor e capacitor, e inferiu a existência do memristor como um componente fundamental na teoria dos circuitos. Outros cientistas já tinham previsto características não-lineares similares aos do memristor, mas a teoria de Chua foi a primeira a criar generalização do conceito. No dia 30 de abril de 2008, uma equipe dos laboratórios da HP anunciaram a construção de um memristor. Usando técnicas de nanotecnologia, construíram uma matriz de memristores num finíssimo filme de dióxido de titânio.
Esses componentes já estão sendo desenvolvidos para aplicações em memórias nanoeletrônicas e arquiteturas de computadores neuromórficos.

Leon Ong Chua

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Leon Ong Chua é um Professor Phd de Engenharia elétrica e Ciência da computação filipino. Foi o primeiro a estudar as redes neurais celulares (RNCs), e deu importantes contribuições à teoria de circuitos não lineares, além de ter sido o primeiro a prever a existência do memristor, um componente eletrônico. Por suas contribuições ele recebeu diversos prêmios do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). Atualmente é ensina na Universidade de Berkeley.
Interesses Acadêmicos: Redes neurais celulares, Circuitos e sistemas não-linear, Dinâmica não-linear, Bifurcação e Caos.
Mas suas pesquisas sofreram um novo impulso com esta nova noticia;
A vitoriosa escalada do memristor
Construído pela primeira vez em 2008, o dispositivo previsto em 1971 vem se mostrando promissor, com aplicações em máquinas inspiradas no funcionamento do cérebro. Em sua coluna de junho, Carlos Alberto dos Santos aponta possíveis caminhos para o estudo dos memristores.
Por: Carlos Alberto dos Santos
Publicado em 04/06/2015 | Atualizado em 04/06/2015 pela revista eletrônica "Ciência Hoje".
Previsto em 1971 e construído pela primeira vez em 2008, o memristor foi depois usado na elaboração de um chip para ser aplicado em pesquisas de neurociência. (foto: Andy Thomas/ Bielefeld University)

Em janeiro de 2009, apresentei aqui na coluna o memristor, um dispositivo previsto em 1971 pelo engenheiro norte-americano Leon Chua e fabricado pela primeira vez em 2008, nos laboratórios da HP. Em 2014, escrevi sobre uma aplicação pioneira do mecanismo – um chip neuromórfico fabricado na Universidade Bielefeld, Alemanha, entre 2012 e 2013.
Agora, um artigo publicado recentemente na Nature me chamou a atenção. Era sobre um biomemristor fabricado com um filme de albumina de ovo. Uma rápida navegação na Web of Science (WoS)  motivou a elaboração desta coluna. Até 1971, só havia um artigo sobre memristores registrado nessa base de dados, justamente aquele assinado por Leon Chua. Entre 1972 e 2007, surgiu um artigo com cálculos de circuitos elétricos contendo memristores. Depois da fabricação do dispositivo em 2008, o número de artigos publicados explodiu: só em 2008 e 2009, a WoS registra 96 artigos, e o crescimento anual foi quase exponencial, atingindo a fantástica marca de 1.383 artigos publicados entre 2008 e 2015.
Os fundamentos do memristor foram praticamente esgotados no primeiro artigo de Leon Chua e descritos na minha primeira coluna sobre o dispositivo. Esses quase 1.400 artigos que vieram depois tratam essencialmente de diversos modos de preparação – como o uso da albumina de ovo de galinha –, de propostas de aplicações tecnológicas e de aprofundamentos conceituais a partir dos fundamentos estabelecidos por Chua, sobre os quais falarei agora.
A resistência (R) tem a ver com a relação entre V e i. A capacitância (C) depende da relação entre Q e V. A indutância (L) tem a ver com a relação entre Φ e i. Até 1971, ninguém sabia o que resultaria da relação entre Φ e Q. Assim, nascia o memristor. (ilustração cedida pelo autor)

É interessante retomar a história no ponto em que Leon Chua começou a desenvolver suas ideias. Antes da descoberta do memristor, os elementos passivos de um circuito elétrico eram três: resistor, capacitor e indutor, cada um associado a uma propriedade que o caracteriza, respectivamente resistência (R), capacitância (C) e indutância (L). Além disso, cada circuito elétrico é regulado por quatro variáveis: corrente elétrica, carga elétrica, voltagem e fluxo magnético.
Até 1971, das seis relações possíveis entre as quatro variáveis, apenas uma era desconhecida. Ninguém sabia o que resultaria da relação entre fluxo magnético e carga elétrica. Leon Chua postulou, então, a existência do memristor e definiu a memresistência a partir da relação entre essas duas variáveis. Na linguagem científica, a memresistência é a derivada do fluxo em relação à carga.

Memória de metal

Um aspecto pouco explorado nos artigos de divulgação sobre o memristor, que tem importância essencial na sua utilização tecnológica, refere-se ao seu princípio de funcionamento, descrito no trabalho sobre a sua fabricação na HP. Como mencionei na primeira coluna, o dispositivo preparado pela equipe da HP era uma espécie de sanduíche para explorar os recursos da eletrônica molecular – não tinha nada a ver com o memristor; aliás, a equipe envolvida nem sabia da existência do artigo de Leon Chua.
As partes externas do sanduíche eram camadas de platina (Pt) com espessura inferior a três nanômetros (o nanômetro é a bilionésima parte do metro). A primeira camada de platina foi oxidada, para formar o óxido PtO2, e, sobre ela, foi depositada uma finíssima camada molecular de um composto orgânico para facilitar a fixação da próxima camada, constituída de titânio (Ti), com espessura inferior a três nanômetros. Finalmente, vinha a segunda camada de platina.
O dispositivo funcionou como uma memória permanente, com resultados espetaculares, mas seus desenvolvedores não sabiam explicar o mecanismo responsável pelo comportamento. Seis anos se passaram até que alguém da equipe descobriu o artigo de Chua e eles perceberam que estavam diante de um memristor. Portanto, foi por acaso que este dispositivo foi fabricado pela primeira vez.
Após reações químicas, o memristor da HP reduziu-se a um sanduíche com duas camadas no recheio. Uma delas apresenta alta resistência, e a outra, alta condutividade. (ilustração: Michael Lenz)
Depois das reações químicas no interior do sanduíche, o dispositivo fabricado na HP ficou como esse esquematizado na figura. Reduziu-se a um sanduíche com duas camadas no recheio – a  camada TiO2 apresenta alta resistência elétrica e a outra, um óxido deficiente em oxigênio, apresenta baixa resistência, ou alta condutividade, o que dá no mesmo. Na linguagem da física de semicondutores, diz-se que esse memristor é uma junção TiO2, onde um lado é dopado (deficiente em oxigênio) e o outro é puro.
Quando se aplica uma voltagem positiva no terminal dopado, as lacunas, que se comportam como cargas positivas, migram para o outro lado, aumentando a espessura da camada condutora e, assim, diminuindo a resistência do sanduíche. Diz-se que, nesse estado, o dispositivo está “ligado”, correspondendo ao bit “0” ou ao bit “1”, como preferir. Quando se aplica uma voltagem negativa, esta atrai as lacunas, diminuindo a espessura da camada condutora, o que significa dizer que a resistência aumenta e o dispositivo fica no estado “desligado”.

Olhar para o futuro

O pessoal da HP logo percebeu o detalhe que mencionei acima, geralmente esquecido nos artigos de divulgação científica sobre o memristor. Manipulando o valor da voltagem aplicada, pode-se ter diferentes espessuras das camadas com alta e baixa resistência, ou seja, em vez de um sistema binário convencional, com dois estados “0” e “1”, o memristor pode ter incontáveis estados, cada um correspondendo a uma relação entre as espessuras das camadas.
Assim, o memristor é um sistema analógico, e isso faz dele um sério candidato a simulador do comportamento biológico, digamos, como elemento central em circuitos neuromórficos. Por exemplo, a condutividade nos canais de potássio e sódio, que deu oNobel de Fisiologia ou Medicina de 1963 a John Carew Eccles, Alan Lloyd Hodgkin e Andrew Fielding Huxley , pode ser associada a um memristor.
A principal propriedade do memristor é que, uma vez desligada a fonte de alimentação, as camadas puras e dopadas permanecem no estado em que se encontram e, quando a fonte é ligada, o memristor inicia do ponto em que estava. Ou seja, trata-se de um dispositivo versátil, que pode ser usado em circuitos analógicos ou digitais, e também como memória não volátil. É por essas propriedades que as principais aplicações devem surgir.
“Cérebros são feitos de memristores”, diz o texto na foto, livremente traduzido para o português. Uma das aplicações mais promissoras do dispositivo é a construção de sistemas eletrônicos inspirados no funcionamento do cérebro. (imagem: BinnX1 / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0)
Nesse contexto, o uso do memristor para simular sinapses em circuitos neuromórficos é uma das possibilidades relatadas na literatura. Outro uso possível seria a incorporação de memristores em circuitos computacionais usuais, para aumentar a capacidade de armazenamento e processamento de computadores – para este tipo de equipamento, no entanto, ainda não há protótipos registrados.

Carlos Alberto dos SantosProfessor aposentado do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Fonte:

J.A.